
Entre os dias 3 e 6 de setembro, o Núcleo Iêê apresenta no Sesc Pompeia, em São Paulo, o espetáculo de dança “Tudo Que a Boca Come”, montagem que parte dos movimentos e dos saberes da capoeira para abordar a fome, a desigualdade e as contradições vividas por trabalhadores das periferias. As sessões acontecem de quinta a sábado, às 19h, e domingo, às 17h.
Vencedora de três categorias do Prêmio APCA 2024, a obra volta seu olhar para os entregadores de aplicativos que percorrem diariamente a cidade levando refeições à casa de outras pessoas, embora nem sempre tenham o próprio alimento garantido.
A contradição entre alimentar o outro e permanecer de barriga vazia conduz a montagem, eleita Melhor Espetáculo de Dança pela APCA. O trabalho também recebeu os prêmios de Interpretação, para Rafael Oliveira, e Técnico, pelo figurino.

O ponto de partida da criação é o encontro simbólico entre dois mensageiros sagrados. De um lado está Jesus, atravessado pela poesia marginal; do outro, Exu, cuja comunicação com o mundo acontece por meio do corpo e da capoeira. O cruzamento dessas referências aproxima ancestralidade, religiosidade, realidade social e questões do Brasil contemporâneo.
O título vem de uma frase atribuída a Mestre Pastinha, um dos principais nomes da história da capoeira angola: “capoeira é tudo que a boca come”. A partir dela, o Núcleo Iêê transforma a capoeira em linguagem para investigar não apenas aquilo que alimenta o corpo, mas também as situações em que a comida falta.

Com trilha sonora executada ao vivo, “Tudo Que a Boca Come” articula dança, capoeira, música e palavra. Em cena, o corpo assume também uma dimensão política ao expor as desigualdades enfrentadas por trabalhadores que se tornaram parte cotidiana da paisagem das grandes cidades.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93, Água Branca, São Paulo, SP.



