
Em um presente saturado de informação, previsões e tentativas de explicar o que virá pela frente, “Speaking in Tongues” [Falando em línguas] propõe justamente o contrário: aceitar que nem tudo pode ser decifrado.
Em cartaz na Nara Roesler São Paulo, a coletiva reúne trabalhos de 12 artistas, entre eles Antonio Dias, Dan Graham, Carlos Bunga, Petrit Halilaj, Ann Lislegaard, Tania Pérez Córdova, Adriano Amaral e Julia Gallo, sob curadoria de Magalí Arriola.
O ponto de partida é a figura do oráculo, historicamente procurado por quem desejava respostas sobre o futuro. Aqui, porém, ele não entrega certezas. As obras exploram mensagens ambíguas, fragmentadas e até contraditórias, que obrigam o espectador a construir suas próprias interpretações.

“Não existe uma única verdade”, resume Arriola. Segundo a curadora, as mensagens presentes na exposição são “truncadas, desviadas, obstruídas, fragmentadas” e precisam ser reinterpretadas por cada pessoa.
A mostra também coloca em discussão a necessidade contemporânea de classificar pessoas, comportamentos e identidades, em um momento em que algoritmos e sistemas de informação transformam indivíduos em categorias cada vez mais precisas.
Pinturas, esculturas, desenhos, fotografias e objetos aparecem lado a lado sem oferecer uma narrativa única. Corujas, serpentes e outras referências mitológicas atravessam alguns dos trabalhos e recuperam símbolos que, dependendo da cultura, podem assumir significados completamente diferentes.

A exposição nasceu no contexto dos 50 anos de trajetória de Nara Roesler como galerista, mas, em vez de se transformar em uma retrospectiva celebratória, olha para aquilo que ninguém consegue controlar: o que vem depois.
Galeria Nara Roesler – Avenida Europa, 655, Jardim Europa, São Paulo, SP. Até 24 de outubro de 2026.



