
Horas antes do desfile, Demna entregou uma carta contando seu processo criativo dentro da Gucci neste primeiro ano desde que assumiu, e destacou que esta coleção seria a primeira na qual entregaria sua visão 100% dedicada à casa italiana.
O cenário: uma loja mais limpa com uma proposta bem clara, vendas. Começando pelo masculino, ele é jovem, diverso, com menos alfaiataria e mais streetwear. Sobreposições e camadas mostram que haverá um mix de produtos, tecidos e estampas para qualquer homem se sentir pertencente.

Um certo desleixo e rebeldia de atitude que em nada refletem no impecável made in Italy, mas que resultam em maxicolares com pingentes de logo enorme, calças caindo, barras alongadas e cintos grossos. Contrastando com o retorno das calças de alfaiataria slim e brancas, paletós e gravatas alinhadas.
Então entra o feminino, trazendo de cara uma ruptura: se os homens eram plurais, a mulher Gucci é uma só, pura extravagância. Perua, exalando riqueza, quase como se o luxo fosse palpável e, bom, nessa categoria obviamente há diversidade de idade, da “paty” filha de papai às “mamis” e avós poderosíssimas, de cabelos volumosos com muito hairspray.

As colegiais de saias plissadas e meias brancas ganham ar punk com saltos altíssimos e finos, maxicintos com o horsebit e bomber jackets oversized. Ombros pontudos, excessos de fendas, decotes, volumes inflados trazem personalidade para quem usa.
A forma como Demna escolhe contar as histórias por trás de suas apresentações tem sempre essa linha tênue entre criação e deboche, e saímos quase na totalidade das vezes desconfortáveis de alguma forma. Parece ser esse mais um de seus talentos. A nova Gucci está de portas abertas: quem vai entrar?



