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“Macbeth” em versão drag leva poder e paranoia ao Sesc Pompeia

por Redação CHNews
09/10/2026
Tempo De Leitura: 3 minutos de leitura
Alexia Twister e Thelores – Foto: Gabriel Marques

Uma das tragédias mais conhecidas de William Shakespeare, “Macbeth” ganha uma adaptação em linguagem drag queen realizada pela Cia. Extemporânea. Dirigido por Ines Bushatsky, com texto de João Mostazo, o espetáculo estreia sua primeira temporada em São Paulo no Sesc Pompeia, onde fica em cartaz de 22 de outubro a 15 de novembro. As apresentações ocorrem às quintas-feiras e aos sábados, às 20h; às sextas-feiras, às 16h e às 20h; e aos domingos, às 18h. Antes da temporada paulistana, a montagem estreou no Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, com ingressos esgotados.

O espetáculo é o segundo trabalho do projeto Shakespeare in Drag, iniciado com “Rei Lear”. A primeira montagem foi assistida por mais de 10 mil pessoas em diferentes cidades brasileiras e rendeu a Alexia Twister o Prêmio Shell de 2025 na categoria Melhor Ator.

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Alexia retorna aos palcos ao lado das drag queens Antonia Pethit, DaCota Monteiro, Ginger Moon, Lilith Prexeva, Maldita Hammer, Mercedez Vulcão, Thelores e Xaniqua Laquisha, que também integraram o elenco de “Rei Lear”.

Mercedez Vulcão, Xaniqua Laquisha e Antonia Pethit – Foto: Gabriel Marques

Na trama, o general Macbeth regressa da guerra e encontra três bruxas, que profetizam que ele será rei da Escócia. Impulsionados pela previsão, Macbeth e sua mulher, Lady Macbeth, planejam o assassinato do rei Duncan para tomar a coroa. O crime desencadeia uma espiral de culpa, medo e violência. À medida que passa a enxergar ameaças ao seu poder, Macbeth é dominado pela paranoia e se transforma em um tirano.

Para João Mostazo, a aparente simplicidade da história esconde a complexidade psicológica de uma obra atravessada por ambiguidades e conflitos não verbalizados. “Quase tudo do que as personagens dizem pressupõe uma segunda camada de sentido, e há um ensurdecedor não dito pulsando por baixo de toda a ação”, afirma o dramaturgo. Segundo ele, a peça investiga sentimentos como “medo, paranoia, traição, desconfiança e ambição” com grande profundidade.

A ideia de encenar Shakespeare com um elenco formado integralmente por drag queens surgiu em 2017, durante os ensaios de “A demência dos touros”, montagem que tinha Lilith Prexeva no elenco e incluía cenas inspiradas em “Hamlet”. “Ali, há quase dez anos, já estávamos explorando muito do que iríamos concretizar futuramente: um espaço de cena onde a drag estabelece diferentes tipos de ambiguidade, entre as performances de gênero, entre o ser ou não ser, e o ser e não ser”, explica Ines Bushatsky.

Alexia Twister e Thelores – Foto: Gabriel Marques

Em “Macbeth”, a linguagem drag é utilizada para rever personagens tradicionais e deslocar convenções de gênero presentes na obra. De acordo com a diretora, a proposta não busca uma reprodução literal do texto de Shakespeare, mas a recriação dos efeitos que ele produzia em seu próprio tempo.

A adaptação incorpora versos, expressões e referências da cultura e da literatura brasileiras para aproximar o clássico do público contemporâneo. Ao cruzar a tragédia shakespeariana com elementos estéticos e políticos do universo LGBTQIAPN+, a montagem propõe novas leituras sobre poder, ambição, identidade e violência.

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93, Água Branca, São Paulo, SP.

Tags: Cia. Extemporâneaclássicodrag queenMacbethpeçasesc pompeiateatroWilliam Shakespeare
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