
Dez anos depois de participar de sua primeira exposição, o artista visual paulistano Andre Barion apresenta sua primeira individual em São Paulo. Com curadoria de Amanda Tavares, “Toda minúcia” reúne 27 trabalhos produzidos entre 2023 e 2026 e ocupa o segundo andar e o mezanino da Galeria Estação, em SP, de 6 de outubro a 28 de novembro de 2026.
A mostra acompanha o momento atual de uma pesquisa que combina pintura, desenho e costura. Em vez de utilizar o tecido apenas como suporte, Barion o transforma em matéria pictórica: compra rolos de juta, brim e algodão crus, pinta grandes extensões desses materiais e depois os recorta. Os fragmentos passam a funcionar como uma espécie de paleta de cores, sendo costurados, sobrepostos ou reutilizados como estênceis.
“A costura é um processo muito rígido, muito projetual. Então eu fico sempre nessa busca de como me livrar da rigidez, de transformar o gestual numa coisa mais espontânea”, explica o artista.
Segundo a curadora, a produção de Barion ocupa uma região na qual as fronteiras entre as linguagens deixam de ser estáveis. Pintura, desenho e escultura permanecem reconhecíveis, mas se atravessam e dificultam uma classificação única dos trabalhos.

Assinado pelo arquiteto, pesquisador e curador Omar Porto, o texto de catálogo apresenta um panorama da arte têxtil e situa Barion em uma tradição marcada por nomes como Arthur Bispo do Rosário, Leonilson e Brígida Baltar. Porto também aproxima seu procedimento dos recortes de Henri Matisse, conhecidos pela ideia de “desenhar com a tesoura”.
A maior parte das obras é recente: 22 das 27 peças foram produzidas em 2025 e 2026. O conjunto reúne desde trabalhos pequenos, como “A visão da crisálida”, com 33 por 43 centímetros, até composições de escala quase mural, como “A caçada da sereia”, de 140 por 290 centímetros, e “Onde a alva dança”, que alcança 220 por 290 centímetros.
Borboletas, flores, jardins, redes e elementos ligados ao vestuário aparecem repetidamente, migrando de uma série para outra. A presença de roupas também se relaciona à trajetória de Barion, que se interessou por moda na adolescência e chegou a confeccionar as próprias peças durante dois anos. “Todos os trabalhos têm soluções de composição que vão se mesclando. As formas vão se imprimindo umas nas outras e tecendo uma relação, quase como se fossem parte de um corpo maior”, afirma.
Para Vilma Eid, sócia-fundadora da Galeria Estação, Barion atualiza as possibilidades da produção têxtil ao unir tecido, costura e pintura com uma linguagem própria. “Fiquei encantada ao ver um artista tão jovem trabalhando com tamanha personalidade”, diz a galerista.
Paralelamente à exposição, a galeria apresenta a sala Cardosinho: Acervo Especial, com oito obras recém-adquiridas de José Bernardo Cardoso Júnior, o Cardosinho (1861–1947). Autodidata, o artista luso-brasileiro começou a pintar por volta dos 70 anos e teve admiradores como Candido Portinari, Mário de Andrade e Rubem Braga. A visitação ocorre no mesmo período de “Toda minúcia”.
Galeria Estação – Rua Ferreira Araújo, 625, Pinheiros, São Paulo, SP.


