
Nesta quinta-feira (27.11), a ONG Anistia Internacional fez um apelo às empresas têxteis globais e aos governos de quatro países asiáticos para que tomem medidas a fim de proteger os direitos dos trabalhadores e garantir salários dignos.
Em dois relatórios, a ONG afirma que as marcas de moda que fabricam na Índia, Bangladesh, Paquistão e Sri Lanka devem tomar medidas urgentes para proteger os direitos dos trabalhadores em suas cadeias de suprimentos.
Para elaborar os relatórios, a Anistia realizou cerca de 90 entrevistas em 20 fábricas nesses quatro países. Os relatórios detalham “violações generalizadas que afetam a liberdade de associação na indústria de vestuário”. Argumenta-se que essas violações incluem infrações aos direitos dos trabalhadores, assédio e violência por parte dos empregadores.
“Em muitos aspectos, o modelo da indústria da moda se baseia na exploração de mão de obra barata”, disse à AFP Dominique Muller, pesquisadora da indústria têxtil na Anistia Internacional. “Vemos países produtores como Índia, Paquistão e Sri Lanka sendo forçados a manter baixos salários e reprimir sindicatos porque querem que as marcas façam encomendas com eles.”
O setor têxtil representa até 40% dos empregos na indústria manufatureira nesses países. No entanto, a Anistia Internacional afirma que os trabalhadores são “mal remunerados e sobrecarregados de trabalho, não têm acesso a direitos fundamentais e são sistematicamente privados de seus direitos por meio de contratos informais e precários.”
Contudo, lamenta que “a indústria de vestuário não tenha abordado adequadamente a negação desses direitos essenciais.”
A Anistia Internacional enviou um questionário a 21 empresas solicitando informações sobre suas políticas de direitos humanos, monitoramento e ações específicas relacionadas à liberdade de associação. No entanto, “há poucas evidências para determinar se as políticas de direitos humanos estão sendo implementadas no nível das fábricas.”
“As empresas precisam parar de apenas repetir seu compromisso com a liberdade de associação e, em vez disso, adotar uma estratégia ativa de fornecimento que recompense fornecedores e países que respeitam essa liberdade”, defende Dominique Muller.
Esses relatórios são publicados em um momento em que a União Europeia está enfraquecendo uma diretiva sobre a devida diligência social e ambiental das empresas.
Em meados de novembro, os eurodeputados aprovaram a redução das principais ambições do texto, diminuindo o escopo das empresas abrangidas e removendo algumas de suas obrigações sociais e ambientais.



