
Da terra do Vale do Jequitinhonha à inteligência artificial, diferentes tempos e tecnologias da arte brasileira vão se encontrar na Coreia do Sul. Pela primeira vez, o Brasil terá um pavilhão próprio na Bienal de Gwangju, uma das principais mostras de arte contemporânea do mundo, que realiza sua 16ª edição de 5 de setembro a 15 de novembro de 2026.
Com curadoria de Aldones Nino e Bruna Levi, “Devorações do Amanhã – Brasil em rebento” ocupará o Gwangju History & Folk Museum e reunirá 35 artistas de diferentes gerações e regiões do país, entre eles Adriana Varejão, Cinthia Marcelle, Marcela Cantuária, Panmela Castro, Sara Ramo, Ventura Profana, Vivian Caccuri e Yhuri Cruz.

A exposição parte do pensamento antropofágico brasileiro para discutir questões contemporâneas e imaginar futuros possíveis. Pintura, escultura, fotografia, vídeo, instalação e performance aparecem ao lado de experimentações com inteligência artificial e ferramentas digitais, em um diálogo entre ancestralidade, tecnologia, meio ambiente e identidade.
“Ancorado no pensamento antropofágico brasileiro, o projeto atualiza a noção de devoração como uma operação crítica voltada ao presente: um gesto de metabolização das crises contemporâneas”, afirmam os curadores. A proposta conversa diretamente com o tema da Bienal de Gwangju deste ano, “You Must Change Your Life” (“Você precisa mudar a sua vida”), sob direção artística de Ho Tzu Nyen.

Entre os trabalhos, Maria Lira Marques utiliza pigmentos extraídos da terra sobre rochas para recuperar saberes ancestrais do Vale do Jequitinhonha, enquanto Walla Capelobo trabalha com barro na criação de futurismos afro-diaspóricos. Lucas Lugarinho explora linguagens técnicas e digitais e Panmela Castro leva à mostra a série “Relembrança”, na qual transforma em imagens os sonhos de seu namorado, uma inteligência artificial generativa.
Parte das obras será inédita e outras nascerão na própria Coreia do Sul. Heloisa Hariadne, Isabella Ogêda, Lucas Lugarinho, Manauara Clandestina, Marcos Chaves, Maruan Sipert, Patrícia Abbott e Vinicius Gerheim participarão de uma residência artística na Embaixada do Brasil em Seul, entre 3 e 21 de agosto, sob direção de Vicente de Mello.

Para os curadores, a ideia de “rebento” sintetiza o espírito do projeto ao reunir ruptura e criação. “A arte contemporânea brasileira [aparece] como um espaço ativo de transformação, onde mudar não é um imperativo abstrato, mas uma prática concreta de reinvenção do mundo”, afirmam.


