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Câmeras escondidas viram negócio em “Muito Prazer”, de Jorge Furtado

por Fernanda Miki Tsukase
27/08/2026
Tempo De Leitura: 3 minutos de leitura
“Muito Prazer” é o retorno de Jorge Furtado para a comédia – Foto: Divulgação/Fabio Rebelo

Entre dívidas, gravações escondidas e esquemas mirabolantes no Motel Pérola, Jorge Furtado dirige e assina o roteiro de “Muito Prazer”, sua mais nova comédia, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (27.08). Nela, Rubem (Daniel de Oliveira) herda um motel endividado e tenta trazê-lo de volta à ativa com a ajuda de Grace (Luisa Arraes). Juntos, eles procuram por formas de atrair clientes, até que surge uma ideia mirabolante: gravar os clientes com câmeras escondidas e publicar os vídeos. Para isso, Rubem e Grace contam com os conhecimentos tecnológicos de Nalva (Samantha Jones) para adulterar as imagens e garantir que seu crime siga em segredo.

Com uma dose tripla de bom humor, “Muito Prazer” explora o lado absurdo do universo dos conteúdos adultos. Por exemplo, brincando sobre as infinitas categorias que podem ser encontradas em sites e a ideia de que “tem maluco para tudo”. Mesmo assim, por mais que essa seja uma obra que gira em torno do sexo, ele não é o centro das atenções. No seu lugar, o foco recai sobre as estratégias dos personagens para capturar as imagens, editá-las e publicá-las de modo a, claro, maximizar seus lucros. 

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Além disso cada um dos três vai argumentando com a sua própria moralidade na tentativa de se convencer de que aquilo que fazem é aceitável. Se por um lado têm plena noção de que cometem crimes, ao primeiro sinal de rendimento, passam a se justificar com os dizeres de “não estou prejudicando ninguém”. Com isso, se empenham cada vez mais em criar uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. 

Em meio a este contexto, surge mais um questionamento: qual é o lugar de motéis em um mundo onde a tecnologia apresenta fantasias sem que seja preciso sair de casa? Esse também passa a ser um dos tópicos centrais de “Muito Prazer”. E o filme dedica parte do seu tempo a explorar como a relação das pessoas com o prazer e o sexo mudou com a tecnologia. 

Por mais que a obra aborde conteúdos adultos, ela toma a decisão acertada de se limitar ao universo dos seus próprios personagens. Em outras palavras, discussões como tráfico humano e abuso sexual, que tanto cercam os debates sobre esse tema, não fazem parte de “Muito prazer”. Dessa forma, ele não só consegue se dedicar a explorar o relacionamento entre Rubem e Grace, como também se aprofundar nas mentes dos seus protagonistas. 

Ao longo de cerca de 90 minutos de duração, a obra consegue sustentar uniformemente o tom de comédia nos diálogos. Ou seja, não há intervalos entre uma cena cômica e outra, já que essencialmente todos os momentos apresentam pelo menos um toque de humor. Também fica claro que, em momento algum, “Muito Prazer” se propõe a ser explicitamente militante a favor desta ou daquela causa. Ao seu fim, o filme simplesmente chega à conclusão de que a intersecção entre o prazer e a tecnologia não precisa ser tão sombria e negativa quanto pensamos.

Em um comunicado para a imprensa, Furtado afirma que a grande vítima da sua comédia e sua crítica são os algoritmos e a maneira como eles tentam classificar pessoas em categorias pré-definidas. Ele afirma: “Os sites conseguem muito rapidamente classificar desejos e fantasias eróticas humanas e suas muitas categorias”. “Claro que existem coisas terríveis na pornografia, como a prostituição filmada, a violência. Mas tem coisas muito engraçadas. O erotismo humano é muito divertido, e a gente falar sobre isso sem culpa é uma função da arte, da comédia”. 

Tags: Daniel de OliveirafilmeFilme brasileiroJorge FurtadoLuisa ArraesMuito PrazerSamantha Jones
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