
O Espaço Anexo do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe, de 29 de abril a 3 de agosto, a exposição “Vivian Caccuri – Pele Azul”, individual da artista Vivian Caccuri com curadoria de Bernardo José de Souza. A mostra reúne quatro obras – sendo três inéditas – e tem como ponto de partida a presença dos mosquitos para pensar as relações entre humanidade e outras formas de existência. Na abertura, serão realizados dois programas públicos: às 17h, uma conversa entre a artista e o curador, aberta ao público; e, às 18h30, uma visita mediada.
Composta por instalações, bordados, esculturas sonoras e trabalhos audiovisuais, a exposição traz obras de grande escala da artista paulistana, que reside no Rio de Janeiro há 18 anos, e articula diferentes linguagens em torno de experiências sensoriais e narrativas que atravessam som, corpo e ecologia. A partir de uma pesquisa sobre o impacto cultural desses insetos no Brasil, Caccuri investiga seus vínculos com a vida humana, abordando sua presença no cotidiano, nas ideias e fantasias sobre as relações interespécies no imaginário coletivo e na formação das cidades tropicais.

Na instalação audiovisual multicanal “Pele Azul” (2026), que dá título à exposição, a artista apresenta uma inversão de perspectiva ao colocar os mosquitos Sabethes albiprivus, mais conhecidos como mosquito azul, no centro da narrativa. Desenvolvido ao longo de quatro anos em colaboração com o Laboratório de Transmissores de Hematozoários da Fiocruz, no Rio de Janeiro, o trabalho resulta de um acesso raro e excepcional a essas espécies pouco documentadas e atualmente em risco de extinção, que habitam as copas das árvores e permanecem, em grande parte, invisíveis à observação humana.
A partir de um roteiro escrito por Caccuri em colaboração com Beto Amaral, o filme foi realizado em cinco dias de filmagens em ambiente controlado – um set de filmagem especialmente adaptado para captar as características físicas únicas dos mosquitos azuis – , incorporando também, pela primeira vez, a captação de seus sons. Nas palavras da artista, “o resultado são imagens inéditas para a maioria das pessoas. Este mosquito me atraiu primeiramente pela beleza e forma, possui uma pele brilhante e azul, brilhos, plumas, é um animal sedutor. Em um segundo momento, compreendi a relevância ecológica ligada a esse olhar: nós humanos, não deveríamos nunca poder vê-lo. Se estão voando perto de nós significa que seu ambiente original está sendo destruído. O mosquito azul problematiza a possibilidade do olhar e suas consequências no mundo físico”.

Entre os trabalhos apresentados também está “Gatonet (Nuvem)” (2026), instalação sonora formada por 120 caixas de concreto, a maioria delas aparelhada com alto-falantes e cabos de áudio. A obra organiza um emaranhado de fios que remete a uma floresta tropical, como cipós que conduzem informação sonora, propagando zumbidos de mosquitos no espaço. Nessa paisagem, elementos associados ao ambiente urbano e ao tecnológico – como o concreto e o cobre – se articulam a referências orgânicas, criando uma ambiência eletroacústica composta pela artista a partir dos sons de insetos reais, registrados por cientistas, e o renomado designer de som português Vasco Pimentel. A instalação estrutura o percurso expositivo e estabelece um campo sonoro contínuo, que acompanha o visitante ao longo da galeria.
O público também vai conhecer os trabalhos “Lexapro II” (2022) e “Lexapro III” (2026). Produzidos com tela mosquiteiro, algodão, poliéster, betume e tinta acrílica, são obras que incorporam materiais associados à proteção contra insetos como suporte e superfície, tensionando relações entre corpo, cuidado e exposição. Nelas, Caccuri constrói cenários nos quais os humanos interagem com outras espécies em espaços multidimensionais: são experiências sonoras e de contato que se processam em plano contínuo.

No texto curatorial, José de Souza propõe a ideia de “contágio” como medida das relações entre diferentes formas de vida. “Somos permanentemente afetados por diferentes formas de vida ou existência, sejam elas animais, vegetais, inorgânicas ou mesmo artificiais”, afirma. Ele também descreve a exposição como uma espécie de “selva elétrica”, em que a experiência sonora e sensorial orienta o percurso do público.
CCBB SP – Rua Álvares Penteado, 112, Centro Histórico, São Paulo, SP.



