
Como se veste o futuro quando ele é construído com as roupas que já existem? O Estúdio Traça, de Gui Amorim, levou essa pergunta à passarela em São Paulo com “Zanzalá”, coleção que mistura o imaginário industrial de Cubatão, cidade natal do estilista, à ficção científica brasileira.
A inspiração vem de “Zanzalá”, obra de Afonso Schmidt publicada originalmente em 1928, que imaginava a sociedade cem anos no futuro – justamente às portas do nosso tempo. Essa viagem aparece em jeans desconstruídos, recortes, assimetrias, novas proporções e silhuetas que deixam o corpo participar da arquitetura das peças.
Desenvolvida a partir de itens de acervo e estoque da Levi’s, parceira do Estúdio Traça há dois anos, a coleção transforma o upcycling em linguagem. Gui desmonta o que já existia para imaginar o que ainda pode existir. Em “Zanzalá”, o futuro da moda talvez não esteja em produzir mais, mas em enxergar de outra maneira aquilo que já temos.
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