
Rotinas intensas de skincare têm se tornado cada vez mais comuns entre os jovens, em grande parte graças à sua popularidade nas redes sociais. Por exemplo, o TikTok reúne mais de 59 milhões de vídeos sob a hashtag #skincare, totalizando bilhões de visualizações.
Essa popularidade também se reflete nas compras. De acordo com a empresa de consultoria McKinsey, o mercado de beleza que inclui os dermocosméticos, gerou cerca de US$ 430 bilhões em 2022. E a previsão é que ele alcance os US$ 580 bilhões em 2027. A mesma pesquisa também revelou que, entre o setor de fragrâncias, maquiagens e cuidados com o cabelo, o de cuidados com a pele foi o que apresentou maior lucro e maior crescimento nos últimos anos.
Por outro lado, isso gerou um resultado inesperado: crianças e adolescentes abraçando intensas e pesadas rotinas de cuidados com a pele. Com isso em mente, o CHNews conversou com a dermatologista Vanessa Perusso que, com 15 anos de experiência na área, explica quais são os riscos de aplicar produtos de skincare de maneira precoce.
Na verdade, jovens só precisariam de algum tipo de tratamento de pele em casos que apresentam acne, psoríase e dermatite atópica, por exemplo. Por isso, não existe um momento certo para começar a cultivar uma rotina de skincare, já que tudo depende da pele de cada um. Em condições ideais, ela conta que “até seus 20, 25 anos, você tem um tônus da musculatura, uma qualidade de pele, produção de colágeno super bons.”
Ao mesmo tempo, a dermatologista reconhece que a presença do skincare nas redes sociais normaliza e incentiva esse tipo de comportamento para a faixa etária.“Para esse tipo de adolescente, pré-adolescente, para pessoas jovens, é muito difícil você falar em ‘não, você não vai passar nada’”, afirma.
Logo, o seu conselho é se afastar com rotinas de excessivas e cheias de passos que nem sempre são necessários. Mas, acima de tudo, procurar um profissional que possa ajudar cada um a montar uma sequência de produtos e ativos direcionados para problemas específicos, sem a influência das redes sociais.
Da mesma forma, Vanessa também avisa que nem todos os ativos funcionam em peles jovens. “O que a gente mais vê no consultório são adolescentes e jovens usando cosméticos porque eles estão na mídia”, relata. Porém, é possível perceber que esse uso exagerado de produtos gera outros problemas como aumento da oleosidade, acne e sensibilidade. Tudo isso em uma pele jovem que, por natureza, já é mais delicada.
A longo prazo, a médica alerta para a suspeita de que alguns ativos abrem margem para problemas que podem afetar o equilíbrio metabólico e hormonal, ainda mais em organismos jovens.
“Não é uma coisa extremamente comprovada”, explica, “mas tem uma associação com substâncias químicas que a gente consome em demasia. Seja no que a gente passa na pele, seja no que a gente passa no cabelo. Então, por que não diminuir esse impacto?”. Além disso, Vanessa recomenda atenção às concentrações dos produtos aplicados para que eles não sejam agressivos demais na pele. Ou seja, mais concentrado nem sempre é sinônimo de melhor. Mas, para jovens e adolescentes, ela sugere até mesmo buscar por ativos mais suaves, botânicos ou orgânicos.
Ao mesmo tempo, ela não abandona o skincare por completo. Aderir a uma rotina de cuidados adequada enquanto jovem cria uma pele saudável que, no futuro, precisa apenas de manutenção. Caso contrário, a dermatologista afirma que passa a ser necessário reverter problemas, o que costuma ser mais trabalhoso e demorado. Nas suas palavras: “O cosmético é uma coisa bacana para você ver a longo prazo, não tanto a curto prazo”.
Por fim, ela reforça que os cuidados devem ser com a saúde como um todo, e não apenas com a pele. Uma pele saudável depende de um estilo de vida saudável também. Fatores como falta de sono, má alimentação e estresse fazem com que a pele envelheça mais rápido, aumentando e antecipando as demandas do skincare.


