
Tarsila do Amaral ganha uma exposição própria, voltada para explorar seus estudos e o desenvolvimento da sua técnica. Sediada no Museu Fama, em Itu, “Tarsila: Onde Nascem as Imagens” conta com 45 estudos selecionados entre 204 do acervo de Marcos Amaro, fundador do museu. Na mostra, eles estão dispostos em uma ordem que não segue a cronologia de maneira rigorosa. No lugar, a exposição opta por explorar a evolução dos traços e dos temas. Dessa forma, ela evidencia as mudanças de estilos e investigações de naturezas mortas, formas humanas, cenas do cotidiano, folclore brasileiro e mais.
Além disso, o público tem a oportunidade de observar, em um único lugar, estudos que deram origem à obras consagradas que estão espalhadas pelo mundo. Por exemplo, é possível notar pequenos desenhos que mais tarde estariam presentes em “A Negra” e “A Cuca”. Mas, e talvez mais surpreendente que isso sejam os seus esboços para um espetáculo que Tarsila planejava criar ao lado de Oswald de Andrade. No entanto, a peça nunca saiu do papel e restaram apenas os estudos da artista que se inspiravam nos personagens do folclore brasileiro.

Amaro conta que essa coleção de estudos já recebeu uma outra mostra em 1969 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, porém, um colecionador a manteve guardada no mais completo sigilo. ainda explica sobre as obras: “os desenhos não aparecem apenas como estudos preparatórios para pinturas futuras, mas com trabalhos dotados de autonomia, capazes de expressar processos de observação, reflexão e invenção”.
Para ele, o grande mérito de “Tarsila: Onde Nascem as Imagens” é pontuar que o desenho não ocupa uma posição secundária na carreira de Tarsila. “Antes das grandes pinturas que marcaram a história da arte brasileira, existiu o desenho, lugar de pesquisa, imaginação, descoberta e liberdade, onde efetivamente nasciam as imagens”, conclui.
Já Paola do Amaral Montenegro, sobrinha bisneta de Tarsila e gestora do seu legado, comenta que a artista vive um momento “pop” em meio a exposições nacionais e internacionais, um musical e uma experiência imersiva. “Está em um momento em que Tarsila está sendo muito celebrada como mulher, como pintora, como mulher à frente do seu tempo”, diz. Por fim, ela finaliza afirmando que a exposição do Museu Fama reúne desenhos que não eram vistos juntos há anos em um esforço de levar adiante o legado de Tarsila do Amaral para as novas gerações.


