
Até 25 de janeiro de 2025, o espaço da galeria Andrea Rehder Arte Contemporânea, que completa 15 anos, exibe exposição individual do artista e cineasta César Oiticica Filho. Sobrinho de Hélio Oiticica e carinhosamente conhecido como Cesinha, sua pesquisa transita entre pintura e fotografia, explorando a multimídia que conecta as artes visuais e o cinema.
Com texto crítico de Paula Borghi, a exposição mostra seletivamente seis novas obras de grande formato, enfatizando “Intervenção Quântica” como uma instalação projetada na fachada da galeria – um convite para o espectador entrar e desembaraçar cores, luzes e energias quânticas e, ao mesmo tempo, um dispositivo para surpreender os pedestres na rua, formando uma conversa com a cidade.

Cesinha às vezes faz instalações e vídeos que abordam camadas de significados sobrepostos, geralmente utilizando arquivos pessoais, familiares e históricos para criar obras ao mesmo tempo íntimas e coletivas. Em sua visão, é vital utilizar uma abordagem híbrida que funde mídias analógicas e digitais, oferecendo um olhar inovador sobre o tempo, a memória e o legado artístico.
Uma das características mais marcantes de sua produção é o tratamento que ele dá ao próprio conceito de arquivo, que questiona noções de reserva e perpetuidade ao oferecer uma relação muito mais livre e dinâmica entre passado e presente. Suas criações, portanto, muitas vezes atuam como pontes entre gerações, seu trabalho se tornando relevante no novo contexto ao levantar o debate dos contemporâneos sobre a continuidade da inovação artística no Brasil.

O interesse do neoconcretismo e da expressividade artística pela galeria não é algo novo. Onze anos atrás, Andrea Rehder fez a primeira exposição do cineasta Ivan Cardoso, com curadoria de Fernando Cocchiarale, dando um amplo horizonte de conhecimento e experiência sobre o movimento neoconcreto brasileiro. “Ivan passou mais de uma década com Hélio Oiticica. Várias imagens, vídeos, cartas e objetos sobre esse artista icônico estavam em seu acervo. Vários outros encontros em ateliês foram feitos para a exposição e muitas histórias foram contadas por Cardoso”, comenta Andrea Rehder. “Isso despertou em mim – como admirador e galerista – um interesse cada vez maior pelo movimento”, finaliza.



