
Seba Calfuqueo, artista chilena de origem mapuche, abre a individual “Semilla” (“Semente”, em português) em 3 de setembro, na Galeria Marilia Razuk. Uma mostra panorâmica de trabalhos recentes da artista, na qual aborda uma ampla gama de linguagens que atravessam sua produção visual, como as esculturas da série “Imagen País”, os desenhos da série “Florescidas”, o vídeo-performance “Culpa”, as pinturas de “Tecnologías de la Imagen” e as fotografias da série “Esporas e Evocacion al pelo”. Com texto de Eugenio Viola, a mostra segue em cartaz, gratuitamente, até 25 de outubro.
A artista, internacionalmente conhecida, cuja prática multidisciplinar e pesquisa se pautam tanto na reflexão crítica quanto nas questões sobre ordem social e colonial, na qual aborda questões relacionadas a raça, gênero, feminismo, teoria queer, bem como direitos territoriais e ambientais. Desse modo, Calfuqueo se debruça acerca das implicações políticas, sociais e culturais desses tópicos, baseada em sua herança cultural mapuche como elemento fundamental. “Semilla”, portanto, segundo Viola, autor do texto da exposição, “é um título evocativo que simboliza potencial, novos começos, transformação e o desdobramento da identidade”.

Muitos trabalhos de Calfuqueo são inspirados nas histórias Mapuche, como as obras que compõem a série de pinturas “Florescidas”. Nessas obras, a artista retrata um grupo de mulheres da cultura Mapuche que foram significativas em sua trajetória artística e existencial. São pinturas que estão conectadas a uma série de esculturas que representam uma planta medicinal, conhecida como “Lawen” (“Remédio”, em português) em Mapudungun, a língua Mapuche.
Viola ressalta: “Temas ambientais também são centrais na prática de Calfuqueo, que enfatiza a profunda conexão entre as culturas indígenas e o mundo natural”, como nas obras que compõem a série ‘Esporas’, um conjunto de fotografias em que o corpo da artista se funde com plantas, árvores, cogumelos e algas marinhas, desafiando a perspectiva ocidental tradicional sobre paisagens.

Na série “Tecnologías de la imagen”, as pinturas são realizadas com uma série de camadas de tinta acrílica e uma técnica de bordado com tinta desenvolvida pela artista, na qual apresenta as tradições mapuche, como a linguagem têxtil, bem como novas formas de representação da cultura mapuche ligadas à tecnologia, às redes sociais e às atualizações de suas próprias tradições.
Galeria Marilia Razuk – Rua Jerônimo da Veiga, 131, Itaim Bibi, São Paulo, SP.



