
Reconhecida como uma galeria com expertise em tapeçaria moderna brasileira, a Passado Composto Século XX abre em 29 de março “Melodias das Tramas – de Genaro de Carvalho a Jorge Cravo”, que ocorre de forma paralela à mostra em seu estande na SP-Arte 2025 (02 a 06 de abril). Sob a curadoria conjunta de Alejandra Muñoz e de Graça Bueno (proprietária da galeria), a exposição reúne obras de nove artistas tapeceiros distintos e únicos em suas criações, que, ao longo do tempo, estiveram em sintonia com a identidade brasileira.
De acordo com Graça, os artistas desta mostra têm a brasilidade em comum, que se reflete de forma particular nas tramas tecidas por cada um deles. “Alguns são mais abstratos, outros mais figurativos. Em conjunto, todos estiveram juntos em diferentes exposições em algum momento de suas respectivas trajetórias profissionais, seja no Brasil, seja no exterior”, afirma. O nome da exposição remete à forte ligação de Jorge Cravo (1927-2015), que começou a criar tapeçarias em 1972, e também às composições dos artistas de forma extremamente melódica. Esta é a segunda vez que as obras do artista baiano participam de uma exposição coletiva realizada pela galeria e a primeira vez que será apresentado com uma mostra individual na SP-Arte.

Além de Cravo, os homenageados nesta mostra são: Genaro de Carvalho, Jacques Douchez, Norberto Nicola, Jean Gillon, Rubem Dario, Sylvio Palma, Maria Helena Andrés e Gilda Azevedo. O conjunto de tapeçarias expostas – planas e escultóricas, bordadas à mão ou tecidas no tear – imprime uma cadência criativa à exposição e é acompanhado de cartões-modelo e pinturas produzidos entre 1960 e 1988. Os temas variam do figurativo, inspirado na fauna, flora, rochas minerais, mitologia e casarios baianos, ao abstrato e geométrico. No total, são 122 obras, entre elas 38 tapeçarias, além de cartões-modelo, estudos, serigrafias gravuras, quadros, desenhos e retratos de alguns dos principais expoentes da arte têxtil brasileira.
Na mostra é possível observar o pioneirismo dos motivos figurativos de Genaro de Carvalho que se amplia diante da potência metafísica das formas escultóricas de Jacques Douchez. O magnetismo cativante de Norberto Nicola dialoga silenciosamente com a abstração lírica de Maria Helena Andrés. A lúdica elegância das composições de Jean Gillon é um contraponto ao requinte sereno das formas de Rubem Dario. A organicidade dinâmica de Sylvio Palma se fortalece no convívio com a coreografia cromática de Gilda Azevedo e a musicalidade encantadora de Jorge Cravo.

O acervo reunido em “Melodias das Tramas”, segundo as duas curadoras, oferece possibilidades de apreciação dessa arte que, além das dinâmicas de aproximação visual e física, suscita relações sinestésicas combinando ritmos e tons. “Às vezes parece que estamos ante compassos e movimentos de uma grande sinfonia”, afirmam Graça e Alejandra de forma uníssona.
Galeria Passado Composto Século XX – Alameda Lorena, 1.996, Jardins, São Paulo, SP.



