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Higor Campagnaro estreia filme com Isabel Teixeira e volta ao teatro

por Ligia Kas
29/09/2026
Tempo De Leitura: 5 minutos de leitura
Higor Campagnaro – Foto: Sergio Santoian

Um vigia de poucas palavras que encontra no cuidado com o outro uma nova razão para existir. Um homem sozinho em casa que, na véspera de um feriado, decide procurar uma antiga namorada nas redes sociais. Às vésperas de completar 20 anos de carreira, Higor Campagnaro vive dois personagens atravessados pela solidão, embora separados por linguagens, histórias e maneiras muito diferentes de lidar com o vazio.

No cinema, o ator é um dos destaques de “Diário do Fogo”, longa-metragem dirigido por Maju de Paiva e Bernardo Florim, com estreia em 3 de outubro no Festival do Rio. Poucas semanas depois, ele retorna aos palcos como protagonista de “O Extermínio da Cegonha”, espetáculo idealizado e dirigido por Pedro Uchoa, em cartaz de 23 de outubro a 15 de novembro, no Teatro Sérgio Porto, no Rio de Janeiro.

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Em “Diário do Fogo”, Campagnaro interpreta Souza, um vigilante reservado que cruza o caminho de Graça, personagem de Isabel Teixeira. Depois de fugir do apartamento onde mora por causa de um sonho, ela passa a ser perseguida. É nesse cenário de ameaça que os dois se aproximam. “Souza é um vigia solitário que tem poucos amigos, mas, por conta das perseguições que Graça sofre, acaba se conectando a ela e à sua filha para protegê-las de quem as persegue”, explica o ator.

O encontro entre os personagens também aproxima dois universos marcados pela resistência. Calado e aparentemente isolado, Souza encontra no afeto e no impulso de proteger aquelas mulheres uma possibilidade de transformação. A relação, construída em meio à tensão, ocupa o centro emocional do filme.

As gravações aconteceram no primeiro semestre de 2025 e colocaram Campagnaro diante de um elenco que reúne nomes do cinema, do teatro e da televisão. A parceria mais intensa foi justamente com Isabel Teixeira, com quem divide grande parte da narrativa.

Higor Campagnaro – Foto: Sergio Santoian

“A Isabel é uma das maiores atrizes do Brasil, uma das maiores de sua geração. Ela é muito completa e tem muitos recursos. Foi uma honra. Eu já a tinha assistido no teatro, então fico muito feliz de trabalhar com ela”, celebra.

O longa aborda questões sociais a partir do encontro de pessoas que, apesar da solidão, ainda encontram maneiras de resistir e criar vínculos. Nos bastidores, segundo Campagnaro, a delicadeza da história também apareceu na condução do set. “A Maju e o Bernardo [diretores] instauraram um clima muito agradável para que o trabalho pudesse acontecer. O elenco e toda a equipe foram maravilhosos. Além da Isabel, temos Ranieri Gonzalez, Dani Barros, Cátia Costa, Juliana Veloso, André Arteche… Enfim, uma galera da pesada, com uma onda muito boa nesse trabalho.”

Festival do Rio

A exibição no Festival do Rio tem um sabor especialmente afetivo para Campagnaro. Natural de Aracruz, no Espírito Santo, o ator vive na capital fluminense desde 2011, cidade que escolheu para construir a carreira e a vida ao lado da companheira. “Minha família inteira ainda mora no Espírito Santo. A expectativa para a estreia é a melhor possível. Tenho muito carinho pelo Festival do Rio porque é o festival da cidade onde escolhi morar. É muito agradável poder mostrar o filme em casa”, afirma.

A chegada de “Diário do Fogo” ao festival também antecede uma data simbólica. Em 2026, Campagnaro completa duas décadas de trajetória artística, e faz isso transitando entre a tela e o palco, entre o silêncio de Souza e a inquietação de Samuel.

Em “O Extermínio da Cegonha”, o ator vive Samuel, um torcedor do Fluminense que passa uma noite sozinho em casa, na véspera de um feriado. Ao abrir uma rede social, encontra a namorada da adolescência. O gesto aparentemente banal desencadeia uma sucessão de conflitos. “Eu faço um torcedor do Fluminense que, em uma noite sozinho em casa, resolve dar uma olhada na rede social e encontra a namorada da adolescência. A partir daí, tudo se desenvolve”, conta.

Idealizada e dirigida por Pedro Uchoa, a montagem recorre à estrutura das tragédias gregas para olhar para uma angústia absolutamente contemporânea: nunca estivemos tão conectados, e, ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão fácil sentir-se sozinho. “A história que abordamos é muito contemporânea, mas está calcada na tragédia grega. O que dispara os conflitos é o Instagram, que, na peça, age como um oráculo. Para além das questões dos personagens, o espetáculo expõe nossa relação com a internet e provoca uma reflexão sobre como éramos antes da chegada dessas ferramentas”, diz o ator.

Higor Campagnaro – Foto: Sergio Santoian

A tecnologia não aparece apenas como cenário, mas como uma força capaz de despertar desejos, reorganizar memórias e interferir diretamente no destino dos personagens. Naquele universo, basta um perfil reencontrado no feed para que o passado invada o presente.

“Há um coro no início, o ‘herói’ falando de sua trajetória e uma grande revelação. Mas tudo isso acontece agora, com smartphones muito competentes, carros automáticos e a gente cada vez mais desconectado um do outro”, observa.

Entre o vigilante que abandona o isolamento para proteger uma mulher perseguida e o homem que procura companhia dentro de uma tela, Higor Campagnaro chega aos 20 anos de carreira investigando um paradoxo do nosso tempo: a solidão pode tanto nos fechar para o mundo quanto nos empurrar, de maneira inesperada, em direção ao outro.

Tags: André Artechebernardo florimCátia CostacinemaDani Barrosdiário do fogohigor campagnaroisabel teixeiraJuliana Velosomaju de paivao extermínio da cegonhaRanieri Gonzalezstreamingteatro
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