
A Riachuelo atravessa um momento de renovação criativa e estratégica que reafirma sua posição como uma das maiores referências do varejo de moda no Brasil. Com mais de 400 lojas espalhadas pelo país, a marca se consolida como uma plataforma de moda democrática, que alia inovação, acessibilidade e brasilidade. O caminho passa por colaborações com nomes nacionais e internacionais, investimentos em sustentabilidade e responsabilidade social, além de um olhar atento às transformações culturais e ao comportamento da consumidora brasileira.
À frente desse movimento está a diretora de estilo Constanza Pedrassani, que construiu sua carreira acompanhando de perto a evolução do varejo nas últimas duas décadas. Após experiências na Renner e na TNG, ela está há 12 anos na Riachuelo, onde lidera uma equipe formada por estilistas, núcleo gráfico e área de pesquisa. Sua missão é traduzir as principais tendências globais para a realidade da mulher brasileira, equilibrando sofisticação e acessibilidade, sempre com um olhar plural, inovador e sustentável.

Nesta entrevista, ela compartilha sua trajetória, fala sobre os bastidores das colaborações mais marcantes da marca, os desafios de inovar em larga escala e o significado da nova campanha “Novos Caminhos”, que aponta para o futuro da Riachuelo em sintonia com as transformações da moda e da sociedade.
Você poderia contar um pouco sobre sua trajetória até chegar à liderança da direção de estilo da Riachuelo?
Eu comecei minha carreira no varejo de moda pelo programa de trainee da Renner, em Porto Alegre, onde fiquei 12 anos desenvolvendo projetos que davam mais personalidade às marcas. Depois, tive uma breve passagem pela TNG, em São Paulo, onde explorei mais sourcing e importação, já que em empresas menores a gente tem a chance de atuar em várias frentes. Logo depois cheguei à Riachuelo, onde estou há 12 anos, sempre na área de estilo. Aqui passei por diferentes funções: já desenhei coleções, liderei equipes de estilistas e hoje coordeno também o núcleo gráfico, responsável por todas as estampas, e a área de pesquisa de moda. Essa jornada me trouxe até a posição de diretora de estilo, de onde consigo integrar todas as categorias e direcionar a proposta criativa da marca.
A Riachuelo tem uma tradição em colaborações. Como vocês escolhem os parceiros?
A gente entende que a moda é mais do que roupa, ela é um movimento cultural. Por isso, nosso olhar é sempre amplo e global. Trabalhamos tanto com marcas consolidadas, que já têm um público forte, quanto com artistas e marcas emergentes que trazem frescor e novidade. O mais importante é estar com o radar atento ao que surge de novo, seja uma marca urbana e disruptiva ou um designer com trajetória reconhecida. Para nós, a collab é sempre uma troca: aprendemos com o parceiro e ele também aprende com a nossa estrutura e alcance.
Qual colaboração mais marcou sua trajetória?
Foram muitas, mas destaco duas. A primeira foi com a Moschino, quando unimos a linguagem divertida e colorida da marca italiana com personagens icônicos, criando um resultado inesperado e muito desejado. A segunda foi mais recente, com o estilista Alexandre Herchcovitch. Ele trouxe uma releitura da nossa Polo Legacy, peça clássica da Riachuelo, agregando bordados, malharia e detalhes que elevaram o produto a outro nível. Foi especial por unir um ícone da marca ao olhar de um designer brasileiro.

Como equilibrar moda acessível com inovação e sofisticação?
Esse é um trabalho coletivo. A Riachuelo tem a vantagem de ter uma cadeia produtiva integrada, com uma fábrica no Rio Grande do Norte, a maior empregadora de moda do país. Isso nos permite negociar em larga escala e trazer inovações de matéria-prima a preços competitivos. Inovação, para nós, não é só tendência, é ter processos produtivos mais limpos, tecidos sustentáveis, caimento adequado e respirabilidade. Assim, conseguimos entregar moda democrática sem abrir mão da qualidade e da sofisticação.
E quanto à sustentabilidade e responsabilidade social?
É um compromisso presente em várias frentes. Em produto, por exemplo, o nosso jeans Pool já é produzido com até 70% menos água. Lançamos também o Pool Loop, jeans regenerativo feito com resíduos do pós-consumo, em parceria com a Cotton Move e a Vicunha. Mas a sustentabilidade vai além. Temos mais de 30 mil funcionários, sendo 15 mil no Nordeste, e geramos impacto social por meio de projetos como o ProSertão, que leva oficinas e capacitação ao interior, e pelo Instituto Riachuelo, que amplia educação e empregabilidade. Acreditamos que a moda tem poder de transformação social.
Quais são os próximos passos da marca em termos de posicionamento?
Queremos consolidar a Riachuelo como uma plataforma de moda, e não apenas como varejo. Isso significa ampliar colaborações com grandes nomes, mas também apoiar artistas e marcas menores, fortalecendo a pluralidade. Nossa proposta é unir um DNA muito brasileiro com o olhar global, traduzindo tendências internacionais para o corpo, o estilo de vida e o clima da mulher brasileira.

A nova campanha traz o mote “Novos Caminhos”. O que isso significa para a Riachuelo?
Representa evolução. A moda e a sociedade estão em constante transformação, e a Riachuelo acompanha esse movimento. “Novos Caminhos” é sobre olhar para o futuro sem perder a essência da brasilidade, do nosso legado e da confiança que construímos com os clientes. Queremos inspirar renovação e ser uma marca parceira, sempre lado a lado com o consumidor.
E como a nova coleção traduz esse momento da mulher brasileira?
A coleção reflete liberdade, autenticidade e leveza, alinhada ao período de primavera-verão. Trabalhamos tecidos como viscose, que se adaptam bem ao nosso clima, e uma paleta versátil, com neutros e terrosos claros que transitam em diferentes ocasiões, ao lado de cores vibrantes como o amarelo, que traduz a energia do Brasil. Mais do que tendência, é uma moda próxima do cotidiano, que respeita a pluralidade e acompanha a mulher em todos os momentos do dia a dia.



