
A Japan House São Paulo abre nesta terça-feira (02.06) a exposição “Shiro: uma escala de nuances”. Do japonês, “shiro” (白) significa branco e é justamente sobre ele que a exposição se debruça. Sob a curadoria de Natasha Barzaghi Geenen, a mostra busca explorar a complexidade e as nuances da cor branca dentro da cultura japonesa. Para isso, ela se apoia em quatro temas para servirem de fio-condutores: papel, seda, neve e sal. Além disso, vídeos projetados mostram os processos de produção de cada um dos elementos ao longo do percuso.
Natasha explica que a ideia de criar uma exposição voltada para a cor branca partiu de uma “grande viagem”. Depois da leitura do livro “O País das Neves”, ela se interessou pela forma como o Japão trata as sutilezas e as nuances do branco. Algo que ela afirma estar representado no começo da exposição, onde o visitante se depara com 19 tons de branco, cada um deles catalogado no Japão.
A exposição também conta com obras de três artistas japoneses. A temática da neve destaca a land art de Tomohiro Kajiyama, que traça desenhos geométricos na neve do norte do Japão ao longo de quilômetros. Já no núcleo do papel, Ayumi Shibata assina a instalação “Poem of life”, que alcança cerca de três metros de altura.

Por fim, Kaoru Hirano, que expõe pela primeira vez na América Latina, produziu sua obra especialmente para a exposição “Shiro”. Ao desmanchar um juban (roupa usada sob o quimono) de seda branca de sua avó paterna já falecida, ela cria uma forma que se assemelha a uma teia. E a isso ela combina uma ferramenta da produção de tecidos de seda de sua avó materna.
Em entrevista, Hirano conta que ainda não tem uma ideia do que significa expor na América Latina, mas que sua família já tem uma relação com a região. Ela explica: “Por coincidência, minha tia emigrou para o Brasil. Então, poder apresentar essa peça que provém das minhas avós, e ainda apresentar no lugar para onde minha tia emigrou, acho que há alguma relação”.

Já sobre a produção da obra em si, ela relata que desmanchar o juban de sua avó foi como um retorno para memórias delas. Hirano adiciona que as linhas de seda começaram a se emaranhar sozinhas ao serem desfiadas: “Era como se a memória do bicho da seda estivesse retornando, como se essas linhas quisessem retornar ao estado de casulo. Para mim, foi como se eu estivesse retornando para a memória da minha avó ao mesmo tempo em que a linha queria retornar para o estado do casulo”.
Japan House São Paulo – Av. Paulista, 52, andar térreo, São Paulo, SP.
De 2 de junho a 25 de outubro de 2026.
Entrada gratuita.



