
A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe, de 9 a 21 de dezembro, a mostra “Nouvelle Vague Japonesa: Lirismo e Subversão”, com ingressos e atividades totalmente gratuitas. Serão 24 filmes que mergulham no espírito inquieto da juventude japonesa dos anos 1960 e 1970 (período que redefiniu o cinema do país e ficou conhecido como Nuberu Bagu, sua Nouvelle Vague).
A seleção reúne clássicos que desafiaram o conservadorismo da época e seguem atuais ao tocar em temas políticos, comportamentais e culturais. Entre os destaques, estão “A Mulher da Areia” (Hiroshi Teshigahara), vencedor do Júri em Cannes, “O Profundo Desejo dos Deuses” (Shohei Imamura), “Noite e Neblina no Japão” (Nagisa Oshima) e “Eros + Massacre” (Yoshishige Yoshida).

Nascida em meio aos protestos contra o tratado de segurança EUA-Japão (Anpo), a Nouvelle Vague japonesa deu voz a uma juventude radical e contestadora, que usou corpo, sexualidade e violência como forma de romper tabus. O movimento começou nos grandes estúdios, mas floresceu no cinema independente, onde ganhou liberdade artística e impacto cultural.
Além das sessões, o público também tem acesso a um minicurso sobre o movimento, ministrado pelo curador e professor da PUC-Rio Pedro Henrique Ferreira, além de bate-papos nos dias 12, 14 e 17 de dezembro. Quem participar de ao menos uma atividade leva para casa um livro-catálogo com textos de referência.

A abertura, no dia 9, exibe “O Garoto Toshio”, de Oshima, seguida de apresentação de “Taiko” com o grupo Komyo no saguão. Outras sessões ganham clima especial: “Ilha Nua”, de Kaneto Shindo, terá trilha ao vivo da banda Bagunço no dia 19; e “A Marca do Assassino”, de Seijun Suzuki, contará com exibição acessível no dia 17.
Em parceria com a Fundação Japão, dois filmes de Shohei Imamura serão exibidos em 16 mm: “O Profundo Desejo dos Deuses” (13.12) e “Desejo Profano” (18.12).

Para o curador Pedro Henrique Ferreira, a mostra apresenta “um panorama vibrante da produção de vanguarda japonesa do período”, com filmes que dialogam profundamente com a juventude atual. “São obras brigantes, pouco vistas no Brasil, e que criam pontes entre Brasil e Japão”, destaca.
A programação reúne nomes centrais da história do cinema [Oshima, Imamura, Suzuki, Teshigahara] além de autores mais experimentais, como Masao Adachi, Koji Wakamatsu e Toshio Matsumoto.
Caixa Cultural Rio de Janeiro – Rua do Passeio, 38, Centro, Rio de Janeiro, RJ.



