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Jessika Alves protagoniza nova fase da dramaturgia brasileira na web

por Ligia Kas
11/06/2025
Tempo De Leitura: 12 minutos de leitura
Jessika Alves Foto: Adri Lima

Conhecida do grande público por suas atuações em novelas como “Malhação”, “Amor Eterno Amor” e “Jesus”, a atriz Jessika Alves vive um novo momento profissional ao estrelar “A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário”, mininovela que virou fenômeno nas redes sociais e marcou a estreia de uma produção brasileira no app ReelShort. Em entrevista exclusiva ao CHNews, Jessika fala sobre os bastidores da trama, comenta o impacto do novo formato no audiovisual brasileiro e compartilha reflexões sobre saúde mental, exposição na internet e seu papel como artista em tempos de transformação.

Feita especialmente para o formato vertical e com episódios curtos, a mininovela é voltada ao consumo rápido de ficção em vídeo. Para Jessika, o desafio foi tanto artístico quanto técnico. Gravada em tempo recorde e pensada para um público cada vez mais conectado ao celular, “A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário” combina elementos clássicos da teledramaturgia – romance, mistério, reviravoltas – com a estética ágil das redes sociais. O resultado foi um sucesso instantâneo de audiência e engajamento. A mininovela viralizou no TikTok e no Instagram, gerou memes e teorias entre os espectadores e colocou o nome de Jessika novamente entre os assuntos mais comentados da internet.

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Mais do que uma mudança de formato, a experiência marcou um ponto de virada na trajetória da atriz. Após anos de atuação em novelas tradicionais, Jessika mergulhou em uma proposta experimental, voltada para um público que consome conteúdo de forma fragmentada e imediata. O desafio exigiu um novo tipo de entrega artística, ajustada ao ritmo veloz da narrativa e à limitação de tempo por episódio, mas também abriu espaço para a construção de um personagem complexo, ainda que em poucos minutos de tela.

Enquanto o projeto ganhava repercussão nas redes, Jessika também passou a lidar com um nível diferente de exposição. Acostumada com a visibilidade que a televisão proporciona, ela viu sua imagem circular de forma intensa no ambiente digital – onde a resposta do público é imediata, mas nem sempre filtrada. Esse novo momento trouxe à tona questões sobre autocuidado e limites entre vida pública e pessoal e o lugar do artista na era da hipervisibilidade.

Entre gravações, interações com fãs e compromissos de divulgação, Jessika tem se posicionado como uma voz atenta às transformações da indústria do entretenimento. Para ela, o papel do artista vai além da performance e da cena: envolve escuta, diálogo com o tempo presente e a capacidade de se adaptar sem perder a essência. Em “A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário”, ela não apenas interpreta a protagonista de uma história envolvente – também assume, simbolicamente, o papel de uma intérprete sintonizada com o futuro da dramaturgia brasileira.

Leia a seguir o papo que CHNews teve com Jéssika Alves.

Cartaz de “A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário” – Foto: Divulgação

Como foi protagonizar “A Vida Secreta do Meu Marido Bilionário”?

Foi muito divertido, sim. Foi um projeto que foi muito rápido. Eu estava terminando de gravar a série que eu estava fazendo na Record,  aí, nesse meio tempo, já chegou essa oportunidade de fazer esse primeiro produto. Essa primeira produção do ReelShort aqui no Brasil, 100% brasileiro. Então, eu não sabia muito bem, na época, sobre esse mercado, sobre esse tipo de produção. Nunca tinha consumido as produções deles, eu não fazia muita ideia de como seria, do que se tratava, e aí fui pesquisar, entender, recebi o roteiro, achei a história também leve, divertida de fazer, eu falei, é uma coisa que eu quero, vamos lá, eu acho que a internet e o celular não são nem o futuro, são a nossa realidade hoje.

Eu acho que consumir esse tipo de conteúdo pelo celular é muito mais fácil. Então, eu aceitei de cara. E foi muito divertido gravar. Foi muito rápido. A gente gravou em sete dias a produção inteira. Muito rápido. Eu nunca tinha feito uma produção desse tamanho, porque gravamos em três locações diferentes. Enfim, tinham várias questões ali. E realmente foi um tempo recorde. A gente tinha um roteiro muito apertado também, mas graças a Deus deu tudo certo. Depois que eu entrei no projeto, descobri que tinham vários amigos também que estavam ali fazendo, pessoas que eu já conhecia, que já tinha trabalhado. Então foi muito bom.

Você esperava uma repercussão tão rápida e massiva nas redes sociais? 

Não, não esperava. Eu fiquei até surpresa. Como eu não fazia ideia desse público, do quão forte as pessoas já estavam consumindo… Eu falo que eu furei uma bolha. Porque dentro da minha bolha eu não conhecia esse público, porque eu vim de televisão, de teatro, de cinema, então eu não tinha conhecimento desse tipo de conteúdo e nem do quanto a gente já tinha um público querendo consumir isso. Acho que quando a gente veio com um produto que já tinha essa repercussão com os feitos lá fora, mas com o nosso jeitinho brasileiro, foi a chave do sucesso aqui no Brasil. O brasileiro é muito presente nas redes sociais, é um público muito engajado. Acho que eles só estavam esperando isso, se ver nesse tipo de produção. Foi um sucesso estrondoso. Tinha três dias, 100 milhões de visualizações. A gente já está com quase 250 milhões em duas semanas, um pouquinho mais de duas semanas. Então eu fiquei realmente muito surpresa. Até nas minhas redes sociais também rolava essa troca com os fãs, muita gente chegando, querendo falar da série. Teve essa simbiose também. Quem acompanhava o meu trabalho em “Reis” foi ver essa série, quem estava vendo a série também foi pesquisar mais sobre outros trabalhos meus, e aí foi assistir à série que eu estava fazendo, que era “Reis”, então está sendo muito legal, foi surpreendente de uma forma muito positiva.

Como que você definiria a Nathália, sua personagem, e o que mais que te encantou nela? 

A Nathália é a típica heroína, sabe? Ela é uma menina muito batalhadora, justa, mas não é ingênua. Então, eu acho que isso que é o mais legal, porque ela não fica aquela heroína que é só a vítima. Corre atrás, ela vai atrás dos objetivos dela, e tem um propósito muito forte durante a história toda, que é ajudar a mãe que está no hospital. É por isso que ela se casa com o marido, é por isso que ela aceita a chantagem da irmã, enfim. Isso para mim foi uma parte muito fácil de entender toda essa caminhada, porque eu também sou muito ligada à minha mãe. Acho que eu também faria tudo o que ela fez para ajudar. Foi uma coisa que me conectou logo de cara com a personagem, que eu consegui levar da minha vida também um pouco disso para ela, sabe? E o que eu acho mais interessante, no roteiro, que me surpreendeu também, foi ver a evolução da personagem. Ela começa como uma menininha, até o jeitinho de se vestir. E aí, de repente, ela descobre essa paixão que aflora por uma pessoa que ela não conhecia, nova, misteriosa e charmosa, que é o Sebastião. E ela começa a desabrochar também como mulher. Acho que ela também vai descobrindo o outro lado, então ela fica mais segura. Tanto que ela acaba a série com uma potência, uma certeza do que ela quer e do que ela não quer. 

Quais foram os maiores desafios numa gravação nesse formato?

Acho que para mim tiveram duas coisas bem marcantes que foram diferentes. Isso de gravar muito rápido, porque até os diretores estavam explicando, é uma política do ReelShort mesmo. Eles fazem essas produções mais enxutas possíveis, porque eles têm muitas produções. Fazem mais de 200 títulos por ano. Então, se você for pegar as nossas grandes produtoras aqui, de televisão, elas têm no máximo uns 10, 15 produtos, com grades das novelas, das séries, então é muito diferente o estilo de gravação. É tudo muito rápido e eu acho que o mais diferente foi a questão do enquadramento. Quando a gente está na horizontal, temos mais informações, tudo ajuda a contar a história, o cenário, a luz, a cor que está atrás, o figurino, tudo faz parte daquela composição. E quando você vai para o celular, você não tem tanta coisa a não ser o ator, porque a tela é muito menor, né? É o formato vertical. Então eu acho que fica mais preso realmente no que a gente está fazendo. E, para mim, foi diferente porque na TV quando falasse, ah, “plano americano, close”, eu já sabia mais ou menos onde estava, eu sabia o quanto eu podia me mexer. Na vertical, é tudo muito apertadinho, então você não pode se mexer tanto. Cenas com mais pessoas também é bem diferente a marcação. Ou você tem que ficar muito juntinho, ou você tem que ficar bem separado. Não dá para ficar metade de cada um. A questão do enquadramento, como me posicionar para a câmera, foi uma questão que que eu fui aprendendo ao longo das gravações. Foram poucas, mas foram tão intensas que eu falei assim, gente, eu fiz essa gravação com o Victor Sparapane (Sebastião), que também foi o meu par na outra série. A gente repetiu essa parceria. E aí eu falei para ele, acho que a gente está se vendo mais durante esse projeto [ReelShort] do que durante o ano inteiro que a gente passou gravando junto na Record, porque foi muito intenso mesmo. A gente tinha o mesmo carro para levar para as gravações, então o tempo que a gente tinha para estudar era o tempo que a gente estava no carro.

Como que você tem sentido a repercussão nas redes sociais diretamente? 

Muito legal. O pessoal ficou apaixonado pela série, apaixonado pelo casal, todo mundo me manda muitas mensagens. A pergunta que eu mais recebo é, “vai para segunda temporada”? Não é comigo. Isso é com o ReelShort. Que eu saiba, as produções têm só uma temporada. Isso é um formato deles. Eu não sei se aqui no Brasil, com os pedidos, se eles podem talvez mudar. Mas, por enquanto, o que tem chegado de informação para mim é que a gente só tem essa temporada. Mas é muito legal ver que o pessoal está querendo mais, né? Eles estão pedindo mais, e aí vão nas minhas redes sociais, comentam. Eu fiz uma live também com o Victor e as pessoas, “meu Deus, faz mais lives, a gente quer saber”. Eles estão muito curiosos também para saber como foi a gravação, para saber mais sobre esse projeto. Eu acho que o pessoal abraçou super bem essa esse novo formato, e nas minhas redes sociais tenho sentido que foi muito positivo o impacto. Tanto para quem já me acompanhava quanto para as pessoas que estão chegando. Acho que o meu trabalho foi disseminado para mais pessoas do que até na televisão. Atingiu um outro público que eu ainda não tinha. 

Jessika Alves Foto: Adri Lima

De que forma você vê o futuro das minovelas no Brasil? Acha que é uma coisa que vem para ficar? 

Eu acredito que por a gente já ter esse público e essa demanda que foi comprovado com esse sucesso e com esse boost, eu acho que é só uma questão de tempo mesmo para a gente começar a produzir muito mais nesse formato. O audiovisual está sempre se renovando, vem o streaming, tem vários formatos e eu não vejo o porquê de a gente não aproveitar essa demanda. Todo mundo tem o celular na mão hoje em dia. Então, é muito fácil consumir esse tipo de conteúdo durante o almoço, durante o dia. Acho que é um nicho que pode ser muito proveitoso, como vieram as séries, que antigamente a gente tinha pouquíssimas, e hoje em dia tem uma produção enorme de séries maravilhosas. E eu quero mais é que cresça mesmo, que a gente produza cada vez mais e cada vez melhor em todos os formatos. 

Você tem planos para novos projetos em plataformas digitais? 

Existe uma conversa para um novo projeto, tanto na televisão quanto para esse novo formato, vertical. A gente está estudando algumas coisas. Ainda não está nada definido, nenhum dos dois, mas eu tenho vontade de fazer mais coisas para esse público. 

Como enxerga o papel da indústria do entretenimento na questão da pressão estética sobre mulheres?

A gente teve uma pressão estética muito grande nos anos 1990, que foi quando eu comecei na  televisão, senti muito essa pressão. E foi até por conta disso que eu desenvolvi a bulimia. 

Você falou da década de 1990, da pressão estética sobre existia sobre as mulheres. Acha que hoje isso mudou na indústria?

Eu quero acreditar que sim. Às vezes eu vejo os discursos, vejo os destinos, a inclusão, mas aí acaba que a gente vai lá, são altos e baixos. A gente vê também ainda muito preconceito, a  pressão, enfim, hoje em dia com as novas dietas e canetas que a gente pode usar. Está todo mundo novamente buscando um padrão muito magro. Não sei até que ponto a gente conseguiu ir para frente, mas está retrocedendo. Acho que existe uma evolução individual, mas que no coletivo ainda a gente tem picos, picos bons e picos ruins dentro da nossa sociedade. 

Quais práticas lhe ajudam hoje a manter o equilíbrio emocional? O que você faz? 

Adotei o exercício físico para minha vida como algo não só estético, sabe? Eu me sinto muito melhor, eu fico menos ansiosa, então o exercício físico para mim é uma terapia. Faço luta, treino, musculação, mas principalmente, hoje em dia, me preocupo com a saúde como longevidade, sabe? Eu quero envelhecer bem. Procuro me cuidar e buscar a minha melhor versão para que eu chegue até os 90 anos trabalhando, lúcida, e, é claro, a gente não controlar essas coisas, mas o que eu puder fazer por mim, pelo meu corpo, que hoje é perfeito… Eu sei das minhas limitações, sei do meu tipo, o que é bom, o que é ruim, até porque eu já passei pelos extremos de uma doença, fiquei realmente muito magra uma época, e hoje em dia eu entendo o meu corpo como um todo, eu consigo prestar mais atenção nele. Não pode ser uma fixação, algo que tire meu sono, que me impeça de fazer algo que quero, como ir à praia, ou colocar uma roupa, sem que isso me tire da minha vida social, da minha saúde mental. E eu prezo muito pela minha saúde como um todo, 100%. 

Jessika Alves Foto: Adri Lima

O que vem pela frente, Jessika?

Então, eu estou com essa conversa de continuar algum projeto no vertical. E tem um projeto na televisão. Acho que estou em uma fase muito boa. Eu digo que eu estou colhendo alguns frutos muito bons da minha carreira, que plantei até aqui. Então, eu estou muito tranquila com o que vem por aí. Tem muita coisa boa. Eu não consigo te falar para aonde eu vou, porque graças a Deus tem portas abertas bem legais, mas eu ainda não sei qual vai vir primeiro ou qual eu vou fazer nesse momento. Mas eu sei que já, já a gente está falando sobre um novo trabalho aqui.

Como você lida com as redes sociais? 

Eu sou bem ativa nas minhas redes sociais, às vezes eu posto mais, às vezes eu posto menos, mas eu estou sempre ali de olho, tanto no que me mandam, quanto no que está acontecendo. A gente tem um viciozinho no celular, né? Então eu estou tentando também me policiar com isso, porque a gente está sempre com o celular na mão e acaba trabalhando com isso, que é o meu caso, eu faço muita coisa na internet também, faço trabalhos para as minhas redes sociais, acaba que o trabalho, a vida, tudo se mistura dentro do celular. E eu gosto de consumir, de pegar referência, de saber o que está acontecendo. Não consigo acompanhar tudo. Gosto também de ver o que a galera nova está fazendo. Eu pego muita referência na internet, tanto para trabalhos pessoais quanto para a vida pessoal. Sou assim, eu sou uma consumidora, além de trabalhar com isso. 

Tags: a vida secreta do meu marido bilionáriocarreiradestaque homeinstagraminternetintrigajessika alvesredes sociaisreelshortromancesériesucessoTikTokvictor sparapaneweb
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