
A cantora e compositora Lia Paris volta ao Brasil com “Vive La Chanson”, projeto dedicado à música francesa, e para comemorar os dez anos de “Lua Vermelha”, seu primeiro EP. Ex-estilista e artista circense, ela passa por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte com um repertório que combina canções francesas e músicas autorais. No dia 29 de outubro, São Paulo recebe um encontro intimista que revisita “Lua Vermelha” para um público de apenas 60 pessoas.
“A música francesa começou na minha vida há mais ou menos 12 anos”, conta Lia sobre o “Vive La Chanson”. No início, o contato com esse repertório era uma forma de estudar o idioma e explorar outros registros, técnicas e expressões vocais. Com o tempo, ela se apaixonou pelas canções e pelas histórias por trás delas. Foi assim que criou o projeto, inicialmente secreto, apresentado apenas para públicos fechados. Há dois anos, depois de perceber a receptividade, decidiu levar os shows a plateias maiores. Segundo ela, o sucesso foi inesperado.
Nas apresentações, Lia fala sobre as histórias das músicas e o contexto histórico e pessoal de seus compositores e intérpretes originais. “Como sou compositora, me interesso muito pela letra das músicas, pela história por trás delas, pela inspiração”, diz. Para ela, compartilhar essas informações ajuda o público a viajar pelas canções, mesmo sem entender francês. “É muito bonito instrumentalmente e melodicamente. É bonito de ouvir, mas também é muito legal saber qual é a emoção por trás do que está sendo cantado, a mensagem.”

Na interpretação, a artista acredita que cada idioma tem uma personalidade própria. Por isso, diz sentir-se um pouco atriz no “Vive La Chanson”. Seu desafio é transmitir as mensagens originais das músicas e, ao mesmo tempo, incorporar a elas seus sentimentos. “Consigo vivenciar um pouco a emoção de ser atriz, interpretando músicas que não são minhas. Então, empresto aquelas histórias, aquelas situações, aquelas emoções.”
10 anos de “Lua Vermelha”
Uma década depois do lançamento de seu primeiro EP, “Lua Vermelha”, Lia também revisita o trabalho no Brasil. A artista se emociona ao falar sobre o disco, que considera fundador de seu universo artístico e decisivo para que entendesse seu lado compositora. Nele, pôde explorar suas percepções sobre identidade, beleza e simbologia, expressando-se também por meio de figurinos, videoclipes e shows. “Foi um trabalho muito importante, porque, depois dele, foi como se eu tivesse entendido o meu lugar como artista”, explica.
Muita coisa mudou desde então: Lia passou a viver em outro país, casou-se e tornou-se mãe. A nova realidade contrasta com a de dez anos atrás. “Na época em que fiz ‘Lua Vermelha’, eu era meio que uma unidade solta no mundo. É outra percepção de vida.” Ao revisitar o EP, porém, ela também reconhece a coragem que teve ao escolher o caminho da independência artística.
A artista diz que aconselharia sua versão mais jovem a persistir. “Não desista, porque não é fácil ser artista independente em qualquer lugar do mundo. No Brasil é bastante complicado, mas vale a pena.” O reencontro com o disco também a faz lembrar das conquistas e das pessoas com quem colaborou ao longo da carreira, gente que, como ela, queria materializar arte, beleza e mensagem nas próprias obras. “O ‘Lua Vermelha’ trouxe pessoas muito especiais para a minha vida, e, no dia 29, muitas delas estarão lá [no espetáculo].”
Ao recordar os dez anos desde o lançamento, Lia conta que é muito autocrítica, perfeccionista e exigente consigo mesma. Mesmo tendo transitado por diferentes áreas e linguagens artísticas, sente que precisa sempre fazer mais e melhor. Essa cobrança, diz, também a impulsiona a criar. Durante a gravidez, continuou nos palcos: “Estava fazendo show até os nove meses, com a guitarra na barriga. E depois, quando ele tinha três meses, fizemos uma turnê juntos.”
A proximidade com o público é outra fonte de motivação. “É o combustível da minha alegria, é onde me sinto eu mesma. Meio que preciso disso, é um pouco vital para mim.” Lia também se encanta ao ver sua obra inspirar outras pessoas a criar. Durante a entrevista, feita por Zoom, levantou-se da mesa para mostrar o retrato feito por uma fã de 17 anos, hoje exposto em sua casa na França.
No Brasil, pelo menos metade do tempo da artista é dedicada a um projeto de proteção da Mata Atlântica. Em 2023, ela e o marido, Pierre Antoine, compraram um sítio de três hectares no interior de São Paulo, que funciona como reserva ambiental. O espaço recebeu o nome de Lipa, uma combinação das iniciais do casal. O sonho dos dois é transformá-lo em uma casa que receba artistas e abrigue ideias que aproximem arte e sustentabilidade.
Lia planeja trabalhar em um novo disco no próximo ano, em parceria com o marido. Por enquanto, está concentrada no presente: “Eu quero fazer bem-feita essa turnê, tornar o ‘Vive La Chanson’ cada vez maior e explorar novos palcos, novas cidades”, conclui.
Teatro Fleuma: Alameda Ezequiel Dias, 275, 7º andar, Centro, Belo Horizonte, MG. Dia 24 de outubro. Ingressos pela Sympla.
Casa Outono: Rua Outono, 571, Carmo, Belo Horizonte, MG. Dia 13 de novembro. Ingressos pela Sympla.
Blue Note São Paulo: Avenida Paulista, 2073, 2º andar, Conjunto Nacional, Consolação, São Paulo, SP. Dia 14 de novembro. Ingressos pela Eventim.
Teatro Brigitte Blair: Rua Miguel Lemos, 51, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ. Dia 28 de novembro. Ingressos pela Sympla.
Projeto 505: 10 anos de “Lua Vermelha”. Rua Fidalga 505 – Vila Madalena, São Paulo, SP. Dia 29 de outubro. Ingressos pela Sympla.


