
O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) inaugura, no dia 15 de novembro, às 11h, a exposição “José Antônio da Silva: Pintar o Brasil”, acompanhada do lançamento do livro da mostra pela Editora Martins Fontes. Dois dias antes, em 13 de novembro, a galeria Estação inaugura a mostra “Eu sou o Silva”, com curadoria de Paulo Pasta, reunindo 26 obras do artista.
A exposição no MAC USP apresenta a trajetória de José Antônio da Silva, com curadoria do espanhol Gabriel Pérez-Barreiro. Depois de passar pelo Musée de Grenoble, na França, e pela Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, a mostra chega a São Paulo com obras adicionais selecionadas por Fernanda Pitta, curadora do MAC USP.
A mostra reúne 142 obras, incluindo 23 peças do acervo do museu, o maior conjunto de trabalhos de Silva no país. O recorte apresenta pinturas e desenhos organizados por temas recorrentes em sua produção: vida rural, cenas religiosas, paisagens, naturezas-mortas e autorretratos.
Entre as pinturas estão “Paisagem rural e trabalhador com enxadas” (1948), “Algodoal” (1953 e 1972), “Boaida descansando no mangueirão” (1956), “Batendo algodão” (1975) e “Algodoal com troncos decepados” (1975). Também integram o conjunto “Cristo Redentor na Baía de Guanabara” (1980), “Tempestade pela morte de Jesus” (1977) e “Enforcados da Bienal” (década de 1990).

A seção de retratos inclui autorretratos de 1973 e 1976, além de naturezas-mortas como “Natureza morta em pontilhismo” (1951) e “Vaso de flores” (1976).
A versão paulista da exposição inclui um núcleo dedicado aos trabalhos em papel, com destaque para o livro “Romance da minha vida”, composto por 76 desenhos apresentados integralmente pela primeira vez. O conjunto traz cenas rurais produzidas nas décadas de 1940 e 1950.
Segundo Fernanda Pitta, o livro constrói uma narrativa em primeira pessoa que retrata a passagem do artista da vida no campo à atuação nas artes. Os desenhos abordam o cotidiano rural e o impacto da modernização no interior.
Para Gabriel Pérez-Barreiro, a criação de personagens é parte central da obra de Silva. O artista retratou o cotidiano da população rural e os contrastes entre campo e cidade.
O interesse de Silva pela vida rural resultou em registros visuais do processo de transformação social e econômica do país ao longo do século 20. De acordo com Emilio Kalil, diretor da Fundação Iberê Camargo e comissário da Temporada Brasil-França 2025, as obras do artista representam a dinâmica da modernização no campo.
A mostra inclui ainda uma cronologia resumida, organizada por Pitta, e o curta-metragem “Quem Não Conhece Silva?”, de Carlos Augusto Calil.
O livro da exposição, publicado pela Martins Fontes, reúne as obras apresentadas e textos de Gabriel Pérez-Barreiro, Pedro Schuller, Vanini Amaral e Fernanda Pitta.
MAC USP – Av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, Vila Mariana, São Paulo, SP.



