
A joalheria Art’G passa a abrigar uma linha de joias sob o nome Casa Granatowicz, criação de Márcio Granatowicz. A iniciativa marca um passo de expansão da atuação do designer, com foco em peças de ouro e gemas com tiragem limitada.
“Percebi um limite natural na linha da Art’G”, diz Granatowicz. “A marca segue com foco em joias para uso diário. A Casa Granatowicz nasce para outra escala de peça, com mais peso de metal, mais tempo de bancada e outra relação com o processo.”
Segundo ele, a decisão veio de demandas internas de criação, não só de demanda de mercado. “Eu queria trabalhar joias como estudo de volume, de proporção e de estrutura. Em muitos casos isso entra em choque com metas de produção. A Casa Granatowicz existe para retirar esse bloqueio”, afirma.
A relação entre as duas frentes de trabalho é direta, segundo o designer. “A Art’G é a origem. A Casa Granatowicz não rompe com isso. Eu levo o mesmo traço, o mesmo método, mas com outra régua de complexidade. Na Casa, uma peça pode exigir muitas horas de bancada sem pressão de repetição em série.”
Granatowicz descreve a base das referências como um encontro entre natureza e matemática. “Olho para linhas de folhas, para movimento de água, para superfícies irregulares. Depois levo isso para um campo de cálculo, de geometria, de divisão de planos”, explica. “O resultado é uma joia que funciona também como estudo de forma.”
O ouro fosco da marca segue como um dos recursos centrais. “Esse ouro já faz parte da história da Art’G. Na Casa Granatowicz eu uso esse mesmo ouro em espessuras maiores e em composições com gemas de cor intensa”, afirma. Entre essas gemas, ele destaca as esmeraldas de Itabira, da Belmont. “Trabalho com esmeralda Belmont porque conheço a origem e a cadeia de custódia. Isso pesa muito na escolha.”
A Casa Granatowicz terá distribuição reduzida, com até dez pontos de venda no país. “A ideia não é presença em todo lugar”, diz o joalheiro. “Quero seguir peça por peça, lojista por lojista. A relação tem de ser direta. A joia precisa de contexto, de tempo de explicação, de informação sobre origem do metal e da pedra.”
Cada joia contará com certificado e registro em blockchain. “Registro a peça em sistema digital com dados de origem da gema, do ouro e do processo. O cliente recebe o certificado em papel e em formato digital. A meta é rastreio total”, explica. Ele cita também o projeto Art’Genuína, que integra esse sistema de autenticação. “Vejo a tecnologia como parte do processo de confiança.”
Granatowicz usa o termo “luxo limpo” para resumir a proposta. “Para mim, esse termo envolve três pontos: origem rastreável, processo de bancada com tempo adequado e informação aberta para o cliente. Se um desses pontos falha, o conceito cai”, afirma.
Sobre o mercado de joias no Brasil, ele observa um movimento de busca por autoria. “Vejo mais gente interessada em quem desenha, em quem executa, em como a peça nasce. Isso abre espaço para linhas como a Casa Granatowicz, que não se baseiam só em peso de ouro ou em número de pedras”, diz.
Os próximos passos incluem presença em eventos e parcerias fora do país. “Procuro diálogo com galerias, feiras e curadorias que tratam joia como objeto de pesquisa”, explica. Ele cita a participação em premiações como a Inhorgenta Munich como parte desse caminho. “Quero que a Casa Granatowicz circule em contextos em que a joia entra em conversa com arte, com design e com tecnologia.”
Granatowicz resume a criação da linha como um movimento de continuidade. “A Casa Granatowicz não é ruptura com a Art’G. É uma extensão. A diferença é a liberdade de escala e de número de peças. Aqui, se for para existir só uma unidade, está tudo certo”, conclui.



