
O fotógrafo japonês Masao Yamamoto desembarca na Galeria Marcelo Guarnieri com uma exposição que convida o público a desacelerar. Em cartaz entre 1º de agosto e 19 de setembro, a mostra reúne fotografias, fotolivros e caixas-poemas produzidos ao longo de mais de 30 anos de carreira e tem como ponto de partida o conceito japonês de Ma (間), que valoriza os espaços de silêncio, as pausas e os intervalos como parte essencial da experiência.
A expografia, assinada em parceria com a arquiteta e paisagista Sakae Ishii, transforma a galeria em um ambiente de contemplação, com bancos de pedra e placas de granito rosa que convidam o visitante a permanecer e observar.

Reconhecido internacionalmente por suas imagens pequenas, delicadas e carregadas de poesia, Yamamoto apresenta trabalhos das séries “A Box of Ku”, “Nakazora”, “Kawa=Flow”, “Shizuka=Cleanse” e “Bonsai – Microcosms Macrocosms”. Em vez de grandes paisagens, o artista volta seu olhar para detalhes quase imperceptíveis da natureza, como pedras, raízes, galhos e folhas, transformando elementos cotidianos em imagens de forte impacto visual.
Na série dedicada aos bonsais, iniciada em 2018, ele registra as árvores cultivadas pelo mestre Minoru Akiyama e revela verdadeiros universos em miniatura, reforçando a relação entre natureza, tempo e contemplação.

A mostra também destaca a produção editorial do artista, com livros em formato sanfona e as delicadas caixas-poemas da série “Ryokan”, que unem pequenas fotografias a haicais do poeta e monge zen-budista Ryōkan. Para Yamamoto, esses objetos são tão importantes quanto as imagens expostas nas paredes, já que ampliam a experiência da fotografia por meio da materialidade do papel, da textura, das marcas do tempo e do gesto artesanal presente em cada obra.

Manipuladas manualmente, tingidas e desgastadas pelo próprio artista, as fotografias de Yamamoto parecem pequenos relicários, nos quais a imperfeição e o envelhecimento ganham protagonismo. Ao unir essa delicada produção à intervenção de Sakae Ishii, a exposição propõe uma experiência sensorial em que o vazio, o silêncio e o tempo deixam de ser ausência para se tornarem parte fundamental da obra, um convite para olhar com mais calma, em um mundo cada vez mais acelerado.
Galeria Marcelo Guarnieri – Alameda Franca, 1.054, Jardins, São Paulo, SP.


