
A Fondazione Prada apresenta “Tutti zitti”, exposição do artista francês Cyprien Gaillard sobre o desaparecimento gradual dos espaços públicos, pressionados pela privatização e por políticas de segurança. A mostra ocupa a Osservatorio, na Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão, de 3 de dezembro de 2026 a 4 de outubro de 2027.
O centro da exposição é “Detergente” (2026), filme em 35 mm feito em Los Angeles e em cidades do norte da Europa. A obra nasceu de um episódio na Califórnia: Gaillard ouviu uma gravação do tenor Enrico Caruso tocar em alto-falantes instalados no estacionamento de uma loja 7-Eleven. A música clássica era usada para afastar pessoas que permaneciam no local. No filme, árias e outras composições se misturam a ruídos urbanos, como alarmes, conversas e tráfego, enquanto o artista observa espaços marcados por cercas, câmeras e outras formas de controle.
O título da mostra vem de “Tutti zitti!” (“Todos quietos!”), trecho coral da ópera “Madama Butterfly”, de Giacomo Puccini, apresentada pela primeira vez no Teatro alla Scala, em Milão, em 1904. A exposição explora como a cultura pode ser deslocada de seu contexto e até transformada em instrumento de controle.
Entre as obras está a escultura “Mozart morente” (1877–78), de Rinaldo Carnielo, que evoca a permanência e o desgaste dos monumentos culturais. Em “Formation” (2022), um vídeo panorâmico mostra periquitos-de-colar (considerados uma espécie invasora) sobrevoando uma rua de luxo em Düsseldorf e questiona a ideia de preservar a natureza em um estado original e fixo.
Gaillard também apresenta seu arquivo de “Polaroids Geographical Analogies” (2007–2026) e a série “Stiletto Marks” (2026), desenhos feitos por fricção sobre os pisos de madeira do Teatro alla Scala. As marcas da circulação do público formam imagens que o artista associa a um atlas. Durante a exposição, objetos de cena e fragmentos de cenários do teatro também serão levados à Osservatorio, onde ganham novos sentidos.


