
Neste sábado (08.02), a partir das 15h, a Millan inicia sua programação de 2025 com “Calambur”. Idealizado por Guga Szabzon (1987, São Paulo, SP, Brasil), artista representada pela galeria, pelo pintor Thomaz Rosa (1989, São Caetano do Sul, SP, Brasil) e pelo curador Cristiano Raimondi (1978, Bolonha, Itália), “Calambur” estabelece fluxos e movimentos de aproximação entre a produção de ambos os artistas.
Reunião de obras de Szabzon e Rosa, além de trabalhos criados a quatro mãos, “Calambur” resulta de um ano de diálogo e colaboração entre os artistas. Ao longo de 2024, eles passaram a frequentar o ateliê um do outro e a trocar um banco de imagens que guardavam como referência, uma prática que, coincidentemente, já mantinham de antemão. Essas aproximações culminaram em ações mais experimentais, que envolvem a criação de obras cujas etapas foram executadas intercaladamente por Szabzon e Rosa, além de trabalhos criados em conjunto. Desse último, um exemplo é “Só não sei se continuo (2024). A peça teve a sombra projetada pelo corpo dos dois artistas pintada por Rosa sobre a superfície do feltro, material recorrente na produção de Szabzon.

Raimondi – responsável pela curadoria de exposições de Szabzon na Millan e na galeria Travesía Cuatro, no México, em 2023 – incentivou a aproximação entre os artistas ao notar pontos de contato em suas respectivas pesquisas. Ainda que seus trabalhos preservem grandes diferenças, sobretudo no que diz respeito aos processos e materiais empregados por cada um, eles compartilham em suas composições a linha e a sugestão de movimentos rápidos, além de um apreço por correntes da arte moderna e da segunda metade do século 20.
O bate-bola mantido por eles é reposto no espaço expositivo, por meio de movimentos de associação entre as obras e, sobretudo, por outro trabalho elaborado pela dupla. “Quicada” (2024) consiste em uma mesa de pingue-pongue coberta por traços, formas, pinturas e objetos produzidos pelos artistas.
Posicionada no centro do espaço, a obra funciona como uma metonímia de “Calambur” – o movimento veloz da bolinha arremessada de um lado a outro pelas raquetes – ou o do olhar de quem a acompanha – é o mesmo proposto pelo trio que idealizou o projeto: traçar um percurso errático e fugaz pelo universo de cada artista, seu ateliê, suas obras e os artistas olhados por cada um, formando um rastro que embaralhe e reordene nossa mirada sem definições estáticas. “Ordiniedesordine”, 2024, obra de Szabzon inspirada pelo artista italiano Alighiero Boetti, mais uma referência partilhada, também perpassa esse raciocínio.

Da mesma forma, o título, “Calambur”, lida com a permutação. Em seu sentido original, designa um jogo de palavras que as aproxima na fala por uma sonoridade semelhante, ainda que tenham significados distintos. Por fim, um zine com as imagens de referência de Szabzon e de Rosa foi elaborado para o projeto, em colaboração com o designer Pedro Alencar. Em formato de flipbook, a publicação acompanha uma bolinha que quica página a página, atravessando o universo de referências que informa a pesquisa de cada artista.
Millan – Rua Fradique Coutinho 1.360 | 1.430, São Paulo, SP.



