
Filme sobre o início da carreira do músico norte-americano Bob Dylan, “Um Completo Desconhecido” está entre os cinco indicados a melhor figurino no Oscar 2025, e sua figurinista, Arianne Phillips, tentou trazer a essência do cantor através dos trajes utilizados.
O longa de James Mangold, que deve estrear em 27 de fevereiro no Brasil, retrata Bob Dylan desde sua chegada a Nova York, com 19 anos de idade, ao estrelato, com 24. Ganhadora de prêmios como o Tony Awards e o Costume Designers Guild Awards e indicada pela quarta vez ao Oscar, Arianne estudou sobre Bob Dylan desde 2019, quando começou lendo “Dylan Goes Electric!” de Elijah Wald, no qual o filme é baseado, para captar o espírito da época em que o filme se passa, os anos 60.
Com figurinos recriando alguns dos mais famosos visuais de Bob Dylan, Joan Baez, Pete Seeger e Johnny Cash – este último familiar para a figurinista, por ter trabalhado em “Johnny & June”, com indicação à Academia -, Phillips foi responsável por 65 trocas de figurino, para cenas como a da sessão de fotos do álbum “Freewheelin'”, de 1963 e a performance de Dylan no Festival Folk de Newport, no ano de 1965.
Por não ter acesso ao acervo pessoal de Bob Dylan, Arianne Phillips usou referências como autobiografias de pessoas conhecidas pelo artista. Segundo o livro “A Freewheelin’ Time: A Memoir of Greenwich Village in the Sixties” da ex-namorada de Bob, Suze Rotolo – interpretada no longa por Elle Fanning, com nome fictício de Sylvie Russo -, quando ele chegou a Nova York, em 1961, usava calças modelo workwear – algo como uma calça de brim -, junto a macacões e camisas xadrez da marca Pendleton, em homenagem ao cantor folk Woody Guthrie, de quem é fã.
Um destaque do filme são as calças 501 da Levi’s – junto a outros adereços, também da marca -, que Bob Dylan usava no início da década de 1960. Com essa informação, Arianne juntou-se a Paul O’Neill, que dirige coleções vintage da marca americana de denim, para rastrear o modelo escolhido por Dylan: o 501 Super Slim de 1963, refeito sob medida para o filme.
Além da parceria no figurino, a empresa do Blue Jeans apresentou, em dezembro de 2024, a “Levi’s Vintage Clothing x A Complete Unknown”, coleção que recriou o modelo 501 de 1955, o cinto e, em apenas 200 unidades, a jaqueta de camurça Trucker de Dylan, vendidos em embalagens exclusivas com partituras.
Figurino do Oscar em três fases
Em geral, o guarda-roupas do filme contém muito marrom, preto, além de verde e azul em tons austeros. E para o The Art of Costume, Arianne Phillips revelou que os trajes do longa foram divididos em três momentos: a chegada de Bob Dylan em Nova York, a época de Freewheelin’ e a influência Mod em seu estilo pessoal.
Para o primeiro instante, a equipe precisou demonstrar como era Dylan antes do estrelato, com vestuário mais simples, denotando a estética folk da década de 50.
Vem, logo após, o segundo momento: Bob Dylan alcança a fama na música e passa a vestir o icônico guarda-roupas Levi’s, citado anteriormente. Segundo Arianne, esse estilo despojado, com uso de jeans, denotava rebeldia.
E, por fim, a mudança mais forte do guarda-roupas do astro: a invasão britânica. Com sua primeira passagem pelo Reino Unido, Bob Dylan foi influenciado pelo estilo de artistas britânicos como os Beatles e o movimento jovem do Mod, de tons escuros, botas Chelsea, Ray-Ban Wayfarer e alfaiataria, trazendo, no geral, peças mais modernas e feitas na Inglaterra; e um pouco de intensidade com camisas de poá.
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