
Corpos, paisagens, arquiteturas, multidões e memórias ganham novas formas em “Figurae: pluralis nominis figura”, exposição que ocupa a Galeria Contempo, em São Paulo, de 3 a 31 de outubro. Com curadoria de Fabrício Reiner, a coletiva reúne 13 obras de sete artistas que exploram diferentes possibilidades da pintura contemporânea.
Participam da mostra Arthur Arnold, Bruno Neves, Emika Takaki, Evandro Angerami, Isabela Vatavuk, Uéslei Fagundes e Vanessa Midori. Entre tinta, cera, gesso, argamassa, carvão, grafite e até poeira, os trabalhos atravessam as fronteiras entre figuração e abstração e revelam maneiras distintas de construir uma imagem.
O título em latim parte justamente da pluralidade da palavra “figura”. Na exposição, ela não surge apenas como uma forma facilmente reconhecível, mas também como presença, vestígio, matéria e organização do pensamento.
“Pensar ‘Figurae’ é entender a figura não apenas como uma forma delimitada, mas como um modo de organizar o pensamento e fazer a forma aparecer na arte. O subtítulo pluralis nominis figura, ‘a forma plural do nome’, reforça esse movimento e amplia as possibilidades de leitura da exposição”, explica o curador.
Os artistas chegam a esse território por caminhos bastante diferentes. Arthur Arnold trabalha com massas humanas e aproxima corpo, multidão e matéria. Em suas telas, o indivíduo parece se dissolver no coletivo, enquanto a pintura transforma o agrupamento de pessoas em força visual.

Recém-representados pela Galeria Contempo, Evandro Angerami e Emika Takaki participam pela primeira vez de uma exposição no espaço. Angerami estabelece relações entre pintura, paisagem, território e espiritualidade. Já Takaki mergulha em arquivos familiares para abordar memória, ancestralidade e a experiência da diáspora nipo-brasileira.
Entre os nomes mais jovens da coletiva, Bruno Neves investiga os encontros entre geometria, luminosidade, paisagem e as diferentes camadas da superfície pictórica. Uéslei Fagundes cria campos narrativos povoados por personagens, deslocamentos de escala e temporalidades que parecem coexistir. Em 2026, o artista recebeu ao menos quatro prêmios, incluindo um reconhecimento concedido pela Câmara Municipal de Porto Alegre.
Isabela Vatavuk leva para sua produção elementos ligados à arquitetura e à construção civil. Parede, transparência, sombra e suporte deixam de ser apenas estruturas ao redor da pintura e passam a fazer parte da própria imagem.
Vanessa Midori, por sua vez, encontra matéria-prima na cidade. A artista observa fragmentos recolhidos durante seus percursos urbanos e combina pintura, encáustica, assemblage e diferentes suportes para reorganizar aquilo que normalmente passaria despercebido.
A variedade de materiais e procedimentos dá o tom da exposição. Em algumas obras, a matéria cria relevo, peso e espessura. Em outras, esconde, revela ou transforma partes da composição. O resultado é um panorama em que a figura nunca aparece de uma única maneira, ela pode ser corpo, lugar, lembrança, multidão ou apenas um sinal prestes a ganhar forma.

“Receber ‘Fugurae’ na Galeria Contempo é uma oportunidade de colocar em diálogo pesquisas muito diferentes, que refletem a diversidade e a força da pintura contemporânea. A exposição reúne artistas em momentos distintos de suas trajetórias e cria, dentro da galeria, novas relações entre corpo, paisagem, memória, arquitetura e cidade. Para nós, é muito importante abrir esse espaço para diferentes olhares e acompanhar de perto essas pesquisas”, afirmam as diretoras Marcia e Mônica Felmanas.
Galeria Contempo – Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1.644, Jardim América, São Paulo, SP.


