
Paço Imperial inaugura em 4 de julho a exposição “Os dois lados da janela”, que reúne 59 obras de Daniel Senise produzidas entre 2000 e 2026. Com curadoria de Pollyana Quintella, a mostra ocupa integralmente o primeiro andar da instituição e apresenta um panorama da produção do artista carioca, radicado em São Paulo desde 2022.
A exposição reúne trabalhos do acervo de Senise e de coleções particulares. A proposta curatorial evita uma organização cronológica e estabelece diálogos entre obras de diferentes períodos, técnicas e suportes, evidenciando recorrências e transformações em sua trajetória artística.
Conhecido pelas monotipias obtidas a partir da transferência de marcas de pisos e paredes para a superfície da obra, Senise apresenta também trabalhos realizados com aquarela, fotografia e objetos. O conjunto permite acompanhar diferentes vertentes de sua pesquisa ao longo dos últimos 26 anos.
A mostra reúne obras de séries importantes de sua produção, como “Museus e galerias”, “Livros”, “Prodrome” e “Biógrafo”. Esta última ganha destaque por ter suas dez obras exibidas juntas pela primeira vez. Entre os trabalhos apresentados está ainda a instalação interativa “National Gallery” (2014), na qual o visitante observa, através de um pequeno orifício, uma reconstrução em miniatura realizada pelo artista da instituição britânica.
Segundo Senise, o percurso expositivo foi concebido para revelar aproximações entre obras produzidas em momentos distintos de sua carreira. A exposição começa na Antessala Gomes Freire, espaço que funciona como uma síntese das pesquisas desenvolvidas pelo artista.

Entre os trabalhos apresentados nesse núcleo estão as monotipias “Verônica” (Blanchard Jacques), de 2026, e Sem título (Guggenheim Museum), de 2022, além das pinturas “J.L” e “Lucrécia”, ambas de 2026. Nesta última, Senise estabelece uma referência à figura histórica de Lucrécia Bórgia e à tradição de sua representação na pintura ocidental.
Entre as obras de grandes dimensões da exposição está “Vai que nós levamos as partes que te faltam” (2008), instalada na Sala Mestre Valentim. Com dez metros de comprimento, a obra reproduz, em aquarela, os tacos de madeira do corredor de uma residência do artista no Rio de Janeiro, formando uma espécie de planta baixa do espaço.
Na Sala Gomes Freire, o público encontra “Misty Peach Vision Petal” (2004), obra produzida a partir da transferência para a tela de resíduos, poeira e marcas acumulados no chão do ateliê. Já na “Academia dos Seletos está Arranjo em cinza e prata” (2019), trabalho realizado com carpetes recuperados após o incêndio que atingiu o Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, em 2011.
Um dos núcleos centrais da mostra é a série “Museus e galerias”, na qual Senise recria espaços dedicados à arte a partir de sua coleção de monotipias. O conjunto inclui obras inspiradas em instituições como o Museu Nacional de Belas Artes, o MAM Rio, a Capela Sistina, a Cappella degli Scrovegni, a Bourse de Commerce – Pinault Collection e o Dia Beacon. As obras investigam as relações entre arquitetura, memória e percepção, tomando os espaços expositivos como matéria para a construção da imagem.
O percurso inclui ainda uma série de pequenas pinturas produzidas no ateliê do artista, conhecidas como “pinturinhas”. A exposição conta também com textos da curadora distribuídos pelas salas. As chamadas “legendas expandidas” oferecem informações sobre obras específicas e sobre os conjuntos apresentados em cada ambiente.
Paço Imperial – Praça XV de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro, RJ.


