
“Perigosas Damas” é um espetáculo solo, idealizado e protagonizado por Geovana Pires e tem como ponto de partida o livro “Histórias de um silêncio eloquente”, de Thaís Dumêt, no qual extraiu histórias do início do sistema prisional para mulheres no Brasil, que data do início do século 20.
O espetáculo, que estará em cartaz até 31 de agosto, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Rio, tem dramaturgia assinada por Geovana, Elisa Lucinda e Denise Stutz.
“Perigosas Damas” é fruto de uma pesquisa intensa, inclusive dentro de penitenciárias onde a idealizadora realizou projetos sociais como sócia da Casa Poema junto com Elisa Lucinda, e contou com o reforço criativo da direção de Denise Stutz e Soraya Ravenle como diretora musical.
No palco, Geovana aborda o sexismo, opressão e sobretudo a liberdade por meio de vivências femininas reais do passado, mas que se assemelham com a realidade atual de muitas mulheres.
“Ao longo da história da civilização humana foram criadas leis e mecanismos de contenção para que, independentemente da cor e da classe social, as mulheres fossem encarceradas em manicômios, conventos e sistemas prisionais por serem sexualizadas, lésbicas, extrovertidas, inteligentes, terem repulsa sexual ao marido, praticarem a cartomancia, prostituição etc.”, analisa Geovana.
“Esse espetáculo é fruto da experiência, minha e de Elisa Lucinda, de quase duas décadas trabalhando com toda essa diversidade. A poesia entrou na peça se encaixando com a minha história na Casa Poema, onde trabalhamos com as mulheres privadas de liberdade através da poesia falada. O processo de ensaio foi muito intenso pois não estamos falando só delas . Eu também me vi nelas. E assim, fomos construindo a dramaturgia durante os ensaios. E foi lindo por ter sido uma junção de várias mulheres com vivências diferentes”, completa Geovana.

Ao resgatar essas vidas femininas, Geovana apresenta também versões em rap de alguns poemas de Elisa Lucinda, que foram musicados por Soraya Ravenle, que evidenciam o quanto a liberdade feminina frustrava o Estado na tentativa da limpeza moral e racial a que o Brasil foi submetido.
Com uma equipe feminina em sua maioria, a peça tem como propósito uma narrativa vista sob a perspectiva das mulheres ao dar vida à personagens reais, resgatando histórias respaldadas em ampla pesquisa, que contribuem para a compreensão sobre o feminismo nos tempos atuais.
A dramaturgia teatral conta com as poesias de Elisa Lucinda que é dirigida por Geovana nos espetáculos “Parem de falar mal da Rotina” – sucesso de público há 20 anos – e “A paixão segundo Adélia Prado”. “Eu acho que a humanidade não se deu conta ainda no processo de escravização que o feminino sofreu”, declara Elisa.
“Eu estou envolvida no espetáculo antes mesmo da sua concepção, pois eu participo do livro da Thaís com alguns poemas meus, além do prefácio. Eu acho que a humanidade não se deu conta ainda no processo de escravização que o feminino sofreu. São inúmeras camadas de prisões femininas que vão desde limitações psicológicas, sexuais, autopunição, infelicidades em benefício ao homem, abuso da mão de obra da mãe dentro de uma casa, etc. Na verdade, esse espetáculo é um manifesto de antifeminicídio”, acrescenta Elisa.
A direção de produção fica a cargo de Rafael Lydio, da Paragogí Cultural, que é uma produtora que “compreende a cultura como uma potente ferramenta de transformação social, inclusão e fortalecimento da diversidade racial, de gênero, religiosa e cultural”, pontua.
Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto – Rua Humaitá, 163 – Humaitá, Rio de Janeiro, RJ.



