
Rogério Reis transforma o cotidiano das praias cariocas em arte na exposição “Não Somos Mula”, que estreia em 1º de agosto no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Rio. Reunindo cerca de 120 fotografias inéditas, a mostra apresenta os engenhosos artefatos criados por vendedores e trabalhadores da areia para transportar mercadorias e organizar o trabalho, revelando a potência estética de objetos feitos para a sobrevivência.

Fruto de anos de caminhadas pela orla do Rio, a pesquisa desloca o olhar da paisagem para quem a constrói diariamente. Caixas térmicas, cadeiras, guarda-sóis e carrinhos ganham aspecto de esculturas e instalações, transformando soluções improvisadas em reflexão sobre trabalho, criatividade e ocupação do espaço urbano. “O desafio é achar o meu sujeito em meio a uma paisagem muitas vezes caótica”, resume o fotógrafo.

O título da exposição vem de uma expressão usada pelos próprios trabalhadores da praia e simboliza a autonomia de quem cria o próprio sustento. Para Reis, que há mais de cinco décadas dedica sua obra ao Rio de Janeiro, esses objetos revelam muito mais do que sua função prática. “O que faço é uma sistematização dos artefatos funcionais da economia da areia”, afirma.

Com texto crítico de Wilton Montenegro, “Não Somos Mula reforça a vocação do Centro Hélio Oiticica para a fotografia contemporânea e propõe um novo olhar sobre a inventividade humana, mostrando como a necessidade pode se transformar em criação e arte.
Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica – Rua Luís de Camões, 68, Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro, RJ.



