
A atual coleção de Sinesia Karol nasce em um momento de renovação da marca homônima e resgata um símbolo que acompanha a estilista desde o início: a orquídea, primeira estampa de sua carreira e flor que ela relaciona à força, delicadeza e longevidade. Ao revisitá-la, a designer volta às próprias raízes enquanto aponta para um novo ciclo criativo.
Inspirada por Angra dos Reis, onde montanha, mar e floresta se encontram, Sinesia traduz a paisagem brasileira em formas, texturas e técnicas que reforçam o DNA sofisticado de sua marca. Matelassês que desenham orquídeas, bordados contrastantes, elementos metálicos e o reaproveitamento de tecidos dão vida a uma estética que une arte e natureza com leveza.
A coleção também reflete o movimento de expansão da grife, hoje presente em dez países, e a aposta em lançamentos mais frequentes, coleções menores e novos acessórios. Enquanto prepara sua estreia no ready-to-wear dentro do alguns meses, Sinesia reafirma sua visão de um “luxo tropical” que encanta clientes no Brasil e no exterior pela qualidade e pelo cuidado nos detalhes.
Leia a seguir a entrevista completa com a estilista:
CHNews – O que te levou a escolher a orquídea como símbolo da nova coleção?
Sinesia – Na verdade, eu voltei lá no início da minha carreira. A orquídea foi a minha primeira estampa, e agora estamos em um momento de renovação na empresa. Pensei: por que não voltar às origens? Além disso, eu tenho uma ligação muito forte com orquídeas, na minha casa, sou cercada por elas. Aprendi muito sobre essa flor que é delicada, mas extremamente forte. Se você cuida bem, ela dura. É como a nossa vida: quando a gente se cuida, a saúde dura mais. Então, decidimos trazê-la de volta e vamos continuar – todas as minhas próximas coleções terão uma variação de orquídea. Já estou até desenvolvendo a próxima.
CHNews – As orquídeas têm força e delicadeza. Como essa dualidade aparece nas peças?
Sinesia – Acho que tem tudo a ver com o nosso DNA. As minhas peças sempre foram delicadas, assim como os tecidos que usamos, muita seda, muito chiffon, que são materiais românticos e sensíveis. Essa delicadeza é uma marca da Sinesia Karol. E funciona muito bem comercialmente: são as peças que mais vendemos.
CHNews – A paisagem de Angra dos Reis também inspirou a coleção. Como isso se traduziu nas peças?
Sinesia – Angra foi essencial. Eu estive lá mês passado e reparei como é um dos poucos lugares do mundo onde montanha e mar convivem tão de perto. Aquelas ilhas pequenas, a natureza exuberante, as bananeiras, o pé no chão… Isso reflete muito a nossa brasilidade. Quis trazer essa mistura de mar, floresta e simplicidade natural para a coleção.
CHNews – O matelassê com desenhos de orquídeas virou destaque. Como essa ideia surgiu?
Sinesia – Foi uma brincadeira dentro do ateliê. A equipe sugeriu: “Vamos usar mais os nossos próprios tecidos? Vamos aproveitar o que seria descartado?”. Sempre trabalhamos macramê, reaproveitamento… então decidimos incorporar pequenos pedaços de lycra e outros materiais para criar essa textura acolchoada. Não digo nem que foi ideia minha, foi um insight lindo da produção. E hoje o crochê e outras técnicas artesanais estão voltando com força, então estamos aproveitando essa energia. É sustentabilidade na prática.
CHNews – Como você transforma uma inspiração tão orgânica em um produto comercial?
Sinesia – Eu, sinceramente, queria fazer até mais. O Brasil é riquíssimo em matéria-prima, mas nem sempre sabemos transformá-la em algo usável. O processo sempre começa da minha vivência: o que eu vejo, o que eu sinto, o que as pessoas dizem no dia a dia. A partir disso, tentamos criar peças que emocionem, transformar o que está ali na nossa frente em algo que a pessoa possa vestir. O time tem esse cuidado de olhar para uma flor, um acrílico, um detalhe e perguntar: “Como isso vira sonho?”. E assim vamos traduzindo tudo em produto.
CHNews – Quantos pontos de venda você tem hoje?
Sinesia – No Brasil, temos dois pontos físicos e vamos abrir outro em Vitória nos próximos meses. Vendemos muito online. E exportamos para dez países: Grécia, Egito, sul da França, Uruguai, Rússia, Líbano, Estados Unidos, entre outros. Cada país revende à sua maneira.
CHNews – O que atrai o público internacional na estética da sua marca?
Sinesia – Primeiro, a modelagem. Começamos criando para o mercado americano, depois ajustamos para Europa e Brasil. Hoje, acertamos esse ponto. Segundo, a qualidade: a parte de dentro da peça é tão bem-acabada quanto a de fora. Não abrimos mão de tecido e acabamento, prefiro produzir menos, mas entregar qualidade. Por isso as clientes voltam. Eu tenho clientes que compram a coleção inteira todo ano.
CHNews – Você ainda trabalha com modelagens diferentes para cada país?
Sinesia – Hoje, não mais. O comportamento mudou. Antes, eu me preocupava que os biquínis americanos fossem maiores. Hoje, a nova geração nos Estados Unidos quer biquíni pequeno, quer liberdade. A moda praia ficou mais democrática. Faço modelagens discretas, claro, mas não existe mais aquela divisão rígida por país. O mundo ficou mais “free”.
CHNews – Quais são os próximos passos da marca?
Sinesia – Nosso plano é fazer coleções menores, porém com lançamentos mais frequentes, a cada três meses. O mundo está muito rápido, e não dá mais para esperar longos ciclos. O cliente quer novidade sempre.
CHNews – Vocês planejam novos produtos?
Sinesia – Sim. Isso aconteceu de forma orgânica. As clientes começaram a usar nossas peças no dia a dia, então decidimos lançar uma linha de ready-to-wear, duas vezes ao ano. Além disso, vamos lançar lenços de cabeça e outros acessórios. Uma cliente apareceu em Angra toda de Sinesia Karol (pijama, lenço, tudo) e voltou pedindo mais lenços. Pensei: “Pronto, é isso. Vamos lançar”. Acessórios são mais acessíveis, funcionam como presente e acompanham perfeitamente nossas peças. As clientes nos mostram o que querem, e estamos ouvindo.



