
Com informações da AFP
A promotoria italiana está investigando três executivos da grife de luxo Tod’s, bem como a própria empresa, por suposta exploração trabalhista, segundo um documento judicial visto pela AFP na quinta-feira (20.11).
O procurador de Milão, Paolo Storari, havia solicitado anteriormente uma proibição de seis meses à publicidade da empresa, e o juiz Domenico Santoro marcou uma audiência para o dia 3 de dezembro sobre o assunto, de acordo com seu decreto de 14 de novembro.
A promotoria alega que a Tod’s – mais conhecida por seus mocassins de couro – agiu com “plena consciência” da exploração de subcontratados chineses, com violações relacionadas a jornadas de trabalho, salários, higiene e segurança, além de condições de moradia “degradantes”.
A empresa, segundo a promotoria, “não possuía modelos organizacionais” para prevenir a exploração de trabalhadores terceirizados, conforme consta no documento judicial.
“Em particular, terceirizou o serviço de auditoria para fornecedores e, em seguida, não levou em consideração, nem mesmo minimamente, os resultados dessas inspeções, que apontaram inúmeros indicadores de exploração”, afirmou o documento.
Os executivos da Tod’s sob investigação são responsáveis pelas operações, questões da cadeia de suprimentos e conformidade.
Os executivos supostamente exploraram 53 trabalhadores, a maioria chineses, que trabalhavam para seis subcontratadas diferentes da Tod’s.
No pedido feito pelos promotores em 29 de outubro para que o tribunal suspendesse a publicidade da Tod’s, eles alegaram que “o sistema ilícito descrito gerou lucros enormes graças à exploração de mão de obra chinesa (gravemente mal remunerada) e foi possibilitado por sérias deficiências organizacionais”.
O documento judicial de 144 páginas inclui acusações de um trabalhador chinês de uma subcontratada de que seu chefe o agrediu com socos e um longo tubo de plástico e alumínio quando o confrontou sobre cerca de 10.000 euros (aproximadamente US$ 11.500) em salários atrasados.
Apesar de um contrato de quatro horas de trabalho por dia, o trabalhador afirmou que trabalhava das 9h às 22h, com duas pausas de meia hora para almoço e jantar e sem folga.
Além da negligência
A investigação revelou “um fenômeno onde dois mundos… o do luxo, por um lado, e o dos laboratórios chineses, por outro, se unem para um único objetivo: redução de custos e maximização do lucro através da burla das normas trabalhistas”, diz o documento.
Os promotores afirmaram que as “deficiências organizacionais e a falta de controles” da fabricante de calçados iam além da negligência, descrevendo-as como uma atitude “maliciosa”.
Eles já haviam solicitado que a Tod’s fosse colocada sob administração judicial temporária por não realizar verificações na cadeia de produção.
Em um comunicado divulgado na quinta, a Tod’s informou que o Supremo Tribunal da Itália rejeitou o pedido na quarta-feira. A empresa não deu detalhes, mas reportagens da mídia indicam que o pedido de administração judicial está parado devido a uma disputa sobre jurisdição.
“Em relação às novas alegações sobre o mesmo assunto, a empresa está agora analisando, com a mesma serenidade, o material adicional, produzido em um momento preocupante, pelo Dr. Storari”, acrescentou a empresa.
O fundador e presidente da Tod’s, Diego Della Valle, é um dos homens mais ricos da Itália. Ele defendeu sua empresa no mês passado, dizendo a repórteres que a Tod’s era respeitada em todo o mundo e defendia “valores éticos”.
Ele também alertou que tais investigações corriam o risco de prejudicar as marcas “Made in Italy”.
Diversas marcas de luxo foram colocadas sob administração judicial na Itália em meio a investigações sobre o tratamento de trabalhadores terceirizados, sendo a mais recente a marca de luxo Loro Piana.



