
Com pegada oitentista, as silhuetas vieram bem estruturadas nas últimas semanas de moda internacionais. Entre Nova York, Londres, Milão e Paris, foi marcante a visão de formas esguias, ombros largos e muitas abotoaduras até o pescoço, dando ar utilitário e militarista. O corpo em ampulheta está de volta e pode ser resultado de um mundo mais duro e conservador, que retoma o apreço irrestrito pela magreza, sobriedade, feminilidade exaltada e o recato das mulheres.

Em um contexto de mundo – não apenas da moda – que passou pela febre do Ozempic, Wegovy e Mounjaro, com explícita adoração na passarela da semana de moda de Berlim de verão 2024, pela grife Namilia, o resultado prático é de cinturas finas e marcadas, bustos delicados, ombros muito estruturados e quadris ampliados.
Uma das maisons que mais traz essa estética é a Schiaparelli, tanto na alta-costura, quanto no prêt-à-porter. Em diversas grifes, como a Givenchy, até a alfaiataria foi reeditada, com formas mais arredondadas para exibir feminilidade até nos códigos mais masculinos – evidenciando para quem foi pensado, ou a quem pertence aquele traje.

Como citado, a forma hourglass também veio na couture: a grife Miss Sohee, da sul-coreana Sohee Park, que já foi apoiada pela Dolce & Gabbana – de passado problemático em volta do padrão de beleza – trouxe perfis ultrafemininos, teatrais, com corsets e saias encorpadas, além do uso de renda. Até a beauté vem na forma mais feminina possível: cabelos imponentes em penteados firmes e maquiagem sem exagero de blush ou batom, com olhos delineados no mais perfeito gatinho – traço que denota sensualidade sutil.
Segundo relatórios, nas semanas de inverno 2025 quase não se viram modelos curvilíneas. Em pesquisa da Vogue Business, 97,7% dos corpos que desfilaram eram magros e apenas 0,3% plus-size, restando 2% ao mid-size. O informativo também traz a alarmante notícia de que nenhuma modelo plus-size caminhou pelas passarelas de Milão.
A moda promete seguir o caminho da magreza excessiva nas próximas temporadas, dentro das grandes marcas. Para a inclusão dos corpos, resta o experimental: marcas menos comerciais, como a Xuly.Bët, têm apelo mais inclusivo em suas criações. Assim como a capital britânica, conhecida pela moda disruptiva e questionadora, não por acaso foi palco da semana de moda que mais investiu em corpos diversos em sua última edição.



