
Com fórmulas únicas e sofisticadas, prometendo resultados superiores, produtos de skincare mais caros chegam em número crescente no mercado. Mas será que o preço elevado realmente faz diferença na eficácia? A médica dermatologista Caroline Mourão, especialista em cuidados com a pele desde 2012 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, conversou com o CHNews para explicar mais sobre o assunto.
Caroline começa estabelecendo que nem sempre mais caro é sinônimo de melhor: “existem excelentes produtos com respaldo científico que têm um ótimo custo-benefício”. Segundo ela, existem dois fatores que encarecem os produtos: a embalagem e ativos patenteados. “Muitas vezes, a beleza do frasco e o fato de ele ser mais inteligente vão contar”, comenta.
As embalagens afetam tanto a experiência do uso do produto, quanto o seu proveito. A médica define que essa é a diferença entre poder bombear facilmente a quantidade perfeita para aplicação para fora do frasco, ou ter que recolher o produto com os dedos. Além de, claro, uma embalagem de aparência mais sofisticada e elaborada, e outra mais simples.
Quanto às patentes, o preço dos produtos costuma subir no caso de tecnologias muito únicas e específicas. Concluídas as extensas pesquisas que levam à patente, e dependendo da complexidade dos ativos, esse valor é refletido no valor que chega aos consumidores. Ainda nas fórmulas, opções mais baratas também perdem elementos como fragrâncias e um sensorial mais agradável na pele. Mas, Caroline destaca que nada disso interfere necessariamente na performance dos produtos.
Ao seu ver, uma despesa que realmente vale a pena no universo do skincare é o filtro solar. “Filtro solar é uma coisa que a maioria das pessoas não consegue comprar o mais baratinho da farmácia”, ela afirma. Sua justificativa para isso não tem relação com a eficácia das opções mais baratas, mas com a experiência sensorial dos protetores solares mais em conta, que tendem a ser mais pesados e oleosos no rosto. A médica conclui que o melhor investimento que alguém pode fazer nos cuidados com a pele é: “escolher um filtro solar que você use, que seja bom para você.”
Por fim, Caroline defende que “é mais importante você ter constância do que você usar 12 ativos”. Ou seja, ela favorece rotinas de cuidados mais simples e enxutas que se encaixam no dia a dia, no lugar de longas sequências de produtos que só podem ser concluídas ocasionalmente. O que, de uma maneira ou de outra, acaba por reduzir os custos da manutenção de uma rotina de skincare. “Você não precisa ter 20 passos não, o importante é ter constância”, finaliza.


