
A Galeria Base abre no próximo sábado (27.09) a mostra “A Luz do Silêncio”, dedicada ao artista pernambucano Ismael Caldas (1943-2016). Com curadoria e texto crítico de Daniel Maranhão, a exposição reúne 20 pinturas em acrílica, todas inéditas, produzidas entre as décadas de 1970 e 2010. As obras pertenciam ao acervo pessoal do artista e chegam ao público após o acordo firmado entre a galeria e os herdeiros de seu espólio. Apesar do recorte amplo, a mostra não tem caráter retrospectivo.
Segundo Maranhão, Caldas manteve-se alheio a tendências e pressões do mercado: “Ismael pintava os temas que lhe eram afetos, jamais cedeu à tentação da fama ou dos holofotes. Para ele, a pintura não era uma atividade verbal”.

Crítico da superficialidade, o artista explorava ironia e crítica social em séries como “Corruptos, corruptos”, dedicada a políticos, mas também deixava transparecer paixão e delicadeza em trabalhos como os retratos de músicos de jazz, gênero que admirava.
Para Raul Córdula, organizador do livro “Ismael Caldas” (Cepe, 2023), sua obra é marcada pelo insólito: “Não se trata da feiura corriqueira, mas de uma realidade escondida, despida de adornos, que por vezes surge como gesto de ironia ou crítica sarcástica”.

O título da exposição faz referência ao uso singular da luz na pintura de Caldas e ao temperamento introspectivo do artista, que cultivava amizades por meio de cartas, entre elas, uma intensa troca de correspondências com Francisco Brennand, que o considerava “o maior artista de Pernambuco”.

Com dez anos de trajetória, a Galeria Base reforça sua vocação de resgatar nomes esquecidos do mercado. “Esperamos que seja o primeiro passo para o reconhecimento e reposicionamento de Ismael Caldas no universo da arte brasileira”, finaliza Maranhão.
Galeria Base – Rua Artur de Azevedo 493, Cerqueira César, São Paulo, SP.



