
A Galeria Luisa Strina inaugura, no dia 4 de novembro, duas exposições individuais que ampliam os diálogos entre pintura, instalação e crítica institucional na arte contemporânea: “Montañas bajo el mar”, do artista costa-riquenho Federico Herrero, e “Contrato”, do paulistano Ilê Sartuzi. As mostras ficam em cartaz até 13 de fevereiro de 2026.
Em “Montañas bajo el mar”, Herrero apresenta uma série inédita de pinturas e uma intervenção in situ que cobre o piso da galeria, criando uma experiência imersiva. Conhecido por suas composições de cores vibrantes e formas orgânicas, o artista investiga as fronteiras entre arte e vida cotidiana, traduzindo em ritmo e movimento as paisagens fragmentadas de sua cidade natal, San José, Costa Rica.
O curador francês Jérôme Sans, autor do texto da mostra, define o trabalho de Herrero como uma pintura “viva”, que respira e se expande para além da tela: “Com pinceladas controladas, mas vigorosas, ele cria novas paisagens de nosso tempo, profusas, fluidas, em perpétuo movimento”.

Já “Contrato”, de Ilê Sartuzi, parte de cinco acordos legais e performativos para refletir sobre os mecanismos que regem o sistema da arte. A exposição combina vídeos, pinturas e instalações que transformam noções de autoria, propriedade e mediação em gestos artísticos.
Em uma das obras, o artista estabelece a consignação de uma peça de Cildo Meireles, tornando-se responsável por sua venda durante o período expositivo; em outra, impede a própria galerista, Luisa Strina, de entrar na sala da mostra, podendo conhecê-la apenas por meio de registros e relatos.
No texto curatorial, Pedro Zylbersztajn observa que, em Sartuzi, “todo contrato é, em certo sentido, um feitiço, um conjunto de palavras e gestos simbólicos que instaura uma nova realidade”. Essa dimensão ritual e crítica se estende também ao vídeo “all fixed, fast-frozen”, em que o artista associa o truque de mágica “cups and balls” à lógica da especulação financeira.
Galeria Luisa Strina – Rua Padre João Manuel, 755, Jardins, São Paulo, SP.



