
A galeria Galatea Salvador inaugura, no dia 13 de novembro de 2025, duas exposições individuais que colocam em diálogo diferentes formas de perceber e materializar o mundo. No salão principal, “A Invenção da Maré”, primeira mostra de Poli Pieratti na capital baiana, apresenta 11 obras inéditas que exploram a força simbólica do mar e seu imaginário feminino. No cofre da galeria, a instalação “Chuva de Prata”, de Estela Sokol, ativa pela primeira vez o espaço histórico com uma experiência imersiva de luz e cor. Embora distintas em linguagem, ambas as exposições convergem na investigação sensível do espaço, da materialidade e da percepção.
Em “A Invenção da Maré”, Pieratti parte do mito da ninfa Galatea para construir uma pintura em que as imagens surgem em estado latente, oscilando entre a figuração e a abstração. Em tons iridescentes e gestos expressivos, suas telas evocam rochedos, ondas, falésias, corais e a própria figura mitológica, compondo um universo que transita entre paisagem sensorial e mito feminino. Pensada a partir da arquitetura modernista da sede baiana, a exposição assume caráter site-specific: obras de diferentes escalas se encaixam no espaço, conversando diretamente com a galeria. A artista reafirma, assim, uma pesquisa que atravessa memória, território e corpo, presente em mostras como “Submersas” e “Terra do Mar”. Como descreve Pieratti, a série investiga “as poéticas da imagem material, aquela que precede a imagem formal e surge dos elementos da natureza”, numa leitura do mar como ambiente vivo onde o feminino ressoa.

No cofre da Galatea, Sokol apresenta “Chuva de Prata”, obra inédita composta por 300 módulos fotoluminescentes que acumulam luz durante a noite e irradiam brilho no escuro ao longo do dia. A instalação transforma o antigo espaço bancário em um ambiente de suspensão e sensorialidade, em que presença, luz e tempo tornam-se elementos de ativação. A artista, conhecida por transitar entre pintura, escultura, instalação e intervenções urbanas, combina pigmentos fotoluminescentes, talagarça, metais, tecido e materiais industriais para criar formas que dialogam tanto com padrões da natureza quanto com a arquitetura modernista do edifício. A montagem inclui ainda esculturas de chão e parede e um letreiro de neon na fachada, expandindo a experiência para o espaço urbano.
Artista com trajetória internacional, com passagens por residências em Paris, Linz e Portugal, prêmios como o Prix Piza e participações na Bienal do Mercosul e no MAC USP, ela transforma o espaço do cofre em pura experiência poética. O título “Chuva de Prata” sugere um fenômeno que todos reconhecem, embora nunca tenham visto, convocando uma memória sensorial que torna a matéria quase narrativa.
Nas duas mostras, a Galatea reforça seu compromisso com práticas que expandem a percepção e tensionam os limites entre forma, espaço e imaginação, apresentando ao público baiano duas abordagens distintas, mas igualmente potentes, da arte contemporânea brasileira.
Galatea Salvador – R. Chile, 22, Centro, Salvador, BA. Até 17 de janeiro de 2026.



