
Para marcar os 20 anos do primeiro encontro profissional, Giovani Tozi e Neyde Veneziano voltam ao espetáculo que os aproximou. Os dois assinam a direção da nova montagem de “Arlequim e Seus Dois Patrões” (“Il servitore di due padroni”), de Carlo Goldoni, que estreia em 16 de janeiro de 2026, no Teatro Itália. A encenação parte da tradução de Neyde Veneziano e da adaptação de Giovani Tozi.
A dramaturgia preserva o enredo central e os arquétipos clássicos da commedia dell’arte – como Pantaleão, Doutor e Arlequim -, mas os reposiciona em uma atmosfera contemporânea, urbana e brasileira, situada em 2025.
Segundo Tozi, a adaptação nasce do conceito das máscaras da commedia dell’arte, entendidas não como figuras literais, mas como expressões de instinto, energia e função social. “A partir dessa lógica, surgiu a associação com o jogo do bicho, algo profundamente popular e simbólico no Brasil. Isso abriu caminhos para uma leitura atualizada das figuras clássicas”, afirma o diretor. Neyde destaca a adaptação e explica a decisão pela direção compartilhada: “Com um texto extenso, elenco de dez atores e muitas cenas, dividir a encenação foi essencial para otimizar o tempo de ensaio até a estreia”.
Na divisão de funções, Neyde conduz o trabalho de ambientação e composição física das personagens, com foco na transposição da dramaturgia para o presente. Tozi fica responsável pelos aquecimentos, leituras e pelo refinamento das intenções e da expressividade do elenco.
Bicheiro, festa interminável e social media
Na nova versão, Pantaleão é um bicheiro que pretende casar a filha para consolidar, e lucrar com, a divisão de territórios. O Doutor permanece advogado, agora atuando a serviço do jogo do bicho. A ação se passa integralmente em uma festa de noivado que nunca termina, criando um ambiente em que todos parecem “inimigos do fim”. O clima combina o absurdo de “O Anjo Exterminador”, de Luis Buñuel, com a lógica caótica e sedutora de Vale o Escrito.
O resultado é uma comédia de ritmo acelerado, linguagem atual e forte diálogo com o Brasil contemporâneo, que respeita a tradição da commedia dell’arte ao mesmo tempo em que a reinventa a partir de uma realidade social vibrante, contraditória e cômica.
Na montagem que estreia no Teatro Itália, o Arlequim de Goldoni se transforma em Tico Sorriso, personagem de Felipe Hintze. Carnavalesco de uma escola de samba da quarta divisão, ele também é um trabalhador PJ que acumula empregos para fechar as contas do mês.
Esmeraldina, vivida por Mila Ribeiro, torna-se assessora e social media de Clarice Lombardi (Camilla Camargo), jovem decidida a assumir os negócios da família após o casamento com Silvio Salvatti.
Silvio, interpretado por Marcus Veríssimo, é um playboy que vive à sombra do pai, o Doutor Salvatti (Jonathas Joba), advogado influente que passa a falar em latim sempre que bebe. Como ninguém para de beber na festa, os diálogos com Pantaleão Lombardi (Marcelo Lazzaratto) tornam-se cada vez mais confusos, ampliando o tom farsesco da encenação. No elenco, Camilla Camargo, Felipe Hintze, Gabriel Ferrara, Gabriel Santana, Larissa Ferrara, Jonathas Joba, Marcelo Lazzaratto, Marcus Veríssimo, Mila Ribeiro e Nando Pradho.
Teatro Itália – Av. Ipiranga, 344 (Subsolo), República, São Paulo, SP.



