
A partir de 7 de março, a primeira exposição individual das artistas cariocas Irmãs Gelli em São Paulo. Intitulada “Leva tempo, mas vai dar tempo”, a mostra ocupa a Casa Seva, espaço independente voltado à arte e sustentabilidade na Vila Modernista, nos Jardins. A entrada é gratuita a mostra vai até 18 de abril de 2026.
Com curadoria de Catalina Bergues, também do Instituto Tomie Ohtake, a exposição reúne cerca de 20 obras inéditas. No conjunto, trabalhos de grande escala, peças cinéticas e uma instalação performática que dá nome à mostra.
Conhecidas internacionalmente pela pesquisa com cera vegetal e por instalações de forte impacto sensorial, Alice e Gabi Gelli investigam há cinco anos a materialidade do tempo, o corpo e a criação de espaços de encontro em meio à virtualidade contemporânea. A nova exposição consolida esse percurso.

O tempo aqui não é apenas tema, é matéria. As obras nascem de sucessivos mergulhos da cera líquida, em um processo lento, feito de camadas, espera e repetição. O resultado são estruturas translúcidas que evocam profundidade, suspensão e transformação contínua.
A sustentabilidade não aparece como discurso, mas como prática. A dupla trabalha com cera vegetal Ecomix (com menos parafina), plástico reciclado de faróis de carros (desenvolvido em parceria com o projeto Arte 8 Reciclagem) e madeira de demolição. Tudo é reaproveitado e retrabalhado no ateliê.
“Esse plástico deixa de ser lixo e passa a ser obra”, afirma Gabi, ao lembrar de um trabalho de 7 metros feito com 45 kg de plástico reciclado – equivalente ao consumo mensal de 45 pessoas.
O destaque da exposição é uma instalação performática de aproximadamente meia tonelada de cera, inspirada na formação de estalactites e estalagmites. Assim como na natureza, a obra será construída em camadas ao longo do período expositivo, em sessões abertas ao público. O visitante acompanha a transformação em tempo real, e precisa circular ao redor da peça, ativando o corpo na experiência.

As novas obras cinéticas reforçam essa proposta. Com partes que se deslocam horizontalmente, elas convidam ao toque e à interação. “Aprendemos a colocar as mãos para trás em exposições. Aqui é o contrário. Quando você toca, entra, participa, ativa todos os sentidos. Você sai diferente”, diz Alice.
A Casa Seva potencializa esse diálogo ao unir arte, ecologia e relações sustentáveis. Para Carolina Pileggi, representante do espaço, o título da mostra provoca uma reflexão urgente: qual é o tempo certo das coisas, o da natureza ou o da pressa digital? As Irmãs Gelli respondem com matéria, presença e pausa.
Casa Seva – Alameda Lorena, 1.257, Casa 1, Vila Modernista, Jardins, São Paulo, SP.



