
O Galpão Bela Maré, espaço cultural do Observatório de Favelas, abre no dia 14 de março a exposição “onde a língua goteja pedra”, dos artistas Carla Santana e Gilson Plano, com curadoria de Anna Luísa Oliveira e Ana V. Lopes.
A mostra apresenta esculturas, pinturas e experimentações materiais desenvolvidas a partir de uma imersão artística no Quadrilátero Mineiro, região marcada por relevância geológica e histórica.
O projeto investiga a relação entre paisagem, memória e território, trazendo obras criadas a partir da coleta e transformação de elementos ligados à terra. Minerais, pigmentos e superfícies deixam de funcionar apenas como suporte e passam a compor as próprias estruturas das obras, em processos que dialogam com fenômenos naturais como sedimentação, erosão e acúmulo.
Instalada no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (território também atravessado por processos de ocupação e transformações urbanas), a exposição cria um paralelo entre tempos geológicos e sociais, refletindo sobre disputas de memória e construção de paisagens.
A pesquisa que deu origem à mostra levou os artistas a percorrerem locais como o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, a Serra da Saudade e o Cerrado do Quilombo Raízes, além de promover encontros com artistas, mestres e agentes culturais desses territórios.

A exposição também marca a requalificação dos espaços expositivos e da sala multiuso do Galpão Bela Maré, criado em 2011 pelo Observatório de Favelas em parceria com a produtora Automatica. Em 15 anos de programação gratuita, o espaço já realizou 78 exposições.
Galpão Bela Maré – Rua Bittencourt Sampaio, 169, Maré, Rio de Janeiro, RJ.



