
Qual é sua tribo? A riqueza multicultural de tradições, passadas de geração em geração, dão personalidade a um povo. Conta-se a história do mundo pelo boca boca do conhecimento vivido e do experimentado. Daqui a 1000 anos, qual seriam os ditos, tradições, tipicalidade que uma geração dos primórdios da era digital e artificial deixaria?
Se na era primitiva as paredes das cavernas ao serem descobertas nos ensinaram o viver dos antepassados, o que será que os cenários de minecraf ou jogos de construção em pc gamers irão contar aos arqueólogos futuristas? Pensando nessa dupla passado e futuro, tradição e tecnologia, avanços e retrocesso, natural e artificial, a coleção inverno 2026 da Louis Vuitton nos coloca para imaginar.
Em um mundo construído em pixel, a natureza blocada e geométrica é pano de fundo para tribos distintas viverem virtualmente em sintonia, o grupo que abre o desfile tem ar mais desbravador. Aposta em capas protetoras de ombros intimidadores, enquanto as propostas de braços livres carregam sua bolsa junto do seu cajado.
Na sequência, as tribos se dividem naqueles produtivos em looks onde a alfaiataria mais séria é primordial para o day by day, enquanto os mais espiritualizados em conexões de banda larga têm nas bermudas e jumpsuits curtos em uma imagem cheia de recortes de tecidos em um patchwork interessante. Mas tem também a tribo mais antenada, ou melhor, com atitude as peças se encurtam, babados se amassam em drapedados colados ao corpo e a cartela de cores que acende.
Os seres mais pensantes nestas terras sabem da necessidade de proteção atrelada a sustentabilidade para sobreviver mesmo dentro de um game, então pelúcias vegetais em casacos imponentes ou em forros aquecem a coleção. E claro que essas cabeças ganham multiformas com chapéus, toucas, gorros e adornos impactantes, vezes até com abas gigantes ou remetendo a chifres – por falar neles, agora os chifres estão de fato nos pés, emprestam seu shape em vírgula para os saltos altos.
Por fim, chega a aristocracia destas terras de formas primárias. Os vestidos longos em A que encerram a coleção não têm função de proteção, nem mesmo de ostentação. É quase que uma divindade ganha em uma rodada especial neste jogo online, o que se destaca então é colo exposto em um quadrado perfeito margeado por um rufo alto.
Maluco pensar que seremos vistos como seres de tecnologia obsoleta um dia, por isso Nicolas Ghesquière propõe uma análise: tanta artificialidade é o que sobrará ou temos ainda alguma chance de nos conectar ao natural e cuidar para que o savoir faire manual, artesanal, tradicional consiga viver sem se perder? Ao menos vale-se tentar.




















