
A exposição inédita “O útero também é um punho” estreia no dia 27 de março de 2026 na Apexart, instituição cultural em Nova York, e coloca o Brasil no centro de um debate urgente: os direitos reprodutivos das mulheres. O projeto foi o único brasileiro selecionado entre 658 propostas do mundo todo, em um processo rigoroso da instituição, que acumula mais de três décadas de atuação.
Com curadoria de Talita Trizoli e Renata Freitas, a mostra reúne cerca de 30 obras de 11 artistas (dez brasileiras e uma argentina radicada no país). A produção atravessa diferentes linguagens, como pintura, escultura, instalação, vídeo e performance, propondo um olhar múltiplo sobre o tema. A programação também inclui atividades paralelas, como performances, visitas guiadas, rodas de conversa e oficinas.

Participam da exposição Guillermina Bustos, Leíner Hoki, Leticia Ranzani, Liane Roditi, Ludmilla Ramalho, Mariana Feitosa, Natali Tubenchlak, Raffaella Yacar, Renata Freitas, Rikia Amaral e Rosa Bunchaft, todas integrantes do coletivo G.A.F. (Grupo de Acompanhamento Feminista). Vindas de diferentes regiões do Brasil, como Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, as artistas trazem perspectivas diversas, reforçando que o debate sobre direitos reprodutivos atravessa território, raça e geração.
Mais do que a discussão sobre a continuidade ou não de uma gestação, a mostra amplia o tema para questões estruturais. “Falar de direitos reprodutivos envolve acesso à educação, saúde, transporte público, educação sexual, métodos contraceptivos, atendimento médico digno e condições de trabalho que garantam uma parentalidade responsável”, afirmam as curadoras.
Apesar da crescente visibilidade do tema na sociedade, ele ainda ocupa pouco espaço nas artes visuais. A exposição surge justamente para tensionar esse silêncio. “A justiça reprodutiva segue amplamente ausente na arte contemporânea brasileira, muitas vezes silenciada por censura e resistência institucional”, destacam.

O título da mostra faz referência ao poema “O útero é do tamanho de um punho”, da escritora brasileira Angélica Freitas. A obra, considerada um marco do feminismo contemporâneo, aborda o aborto e a violência sobre o corpo feminino. A partir dessa ideia, a exposição propõe refletir sobre as ambivalências da experiência feminina – ainda marcada por limites anatômicos e institucionais.



