
Penha Maia fundou as marcas Pó de Arroz e Penha Maia e mantém ateliê sob o viaduto Santa Efigênia, em São Paulo. Paraibana, mudou-se para São Paulo no fim dos anos 1980 e entrou na faculdade de moda aos 38 anos. “A moda existia em mim, mas não de uma forma profissional”, conta.
Formada pela Belas Artes em 2008, Penha abriu em seguida a Pó de Arroz. No início, produziu coleções de festa e duas peças de noiva que tiveram saída nas lojas onde eram revendidas. “Eu comecei a entender que cliente era esse que comprava minhas peças”, lembra.

A partir de uma coleção dedicada a noivas, Penha tornou-se conhecida por atender casamentos e eventos festivos. “Eu me consolidei nas noivas”, relata.
A pandemia interrompeu parte do trabalho voltado a noivas. Para lidar com a pausa, ela criou coleções-cápsula e passou a vender pela internet. Paralelamente, recebeu convites para criar figurinos para artistas; entre eles, Duda Beat, que usou várias peças assinadas por Penha.

A transição entre as duas marcas nem sempre foi clara para o público. “Era Pó de Arroz, era pra Pó de Arroz… e eu falava, gente, pelo amor de Deus, é Penha Maia”, comenta. A partir de um desfile realizado na Biblioteca Mário de Andrade, Penha passou a apresentar um trabalho com identidade própria. “Eu fiz um desfile totalmente libertador”, diz ela sobre o evento que marcou a mudança.
Sobre estética e processo criativo, Penha revela: “Meu estilo é livre. Eu faço a moda que eu quero e alguém se identifica comigo.” Ela também explica o uso de materiais e técnicas no ateliê: “Todas as cores foram tingidas e rendas que eu tenho armazenadas.” Ao mesmo tempo, relativizou rótulos: “Eu não gosto dessa coisa de levantar a bandeira… eu faço uma moda sustentável, porque todas as coleções que eu faço e tudo que eu faço no ateliê, eu vou garimpar o que eu tenho.”

Atualmente, Penha mantém venda online e presença em multimarcas, entre elas o Mata Lab, shopping da Cidade Matarazzo, em São Paulo. “Tenho um site online onde você vê algumas peças lá”, detalha. Ela mantém uma equipe com vínculos longos: “Tenho pessoas que trabalham comigo. Há 15 anos.”
Penha descreve seus próximos passos em termos de continuidade do processo criativo. “Sempre quando eu termino uma coleção, eu tenho um pouco de angústia”, confessa. Ao mesmo tempo, afirma ter liberdade para escolher o ritmo de trabalho: “Eu não tenho a pretensão de fazer uma peça em escala e sair vendendo que nem uma louca.”



