
Na última semana de alta-costura de Paris, o estilista suíço Kevin Germanier encerrou a temporada com uma iniciativa inédita no setor: uma coleção confeccionada inteiramente a partir de estoques excedentes de sete marcas pertencentes ao grupo LVMH.
Cada um dos 25 looks, que variavam de jaquetas e vestidos esculturais ricamente adornados a vestidos de gala maximalistas e de vanguarda que remetiam a recifes de corais, foi criado mediante o desmanche e a reformulação de peças não vendidas que, de outra forma, teriam sido descartadas.
O upcycling – processo que geralmente envolve a transformação de roupas usadas ou não vendidas em novos produtos – sempre foi visto como uma prática de nicho associada a estilistas independentes e de pequeno porte, como Marine Serre ou Conner Ives, a marcas sustentáveis como Patagonia e E.L.V. Denim, ou ao mercado de segunda mão. No entanto, coleções como a de Germanier demonstram que essa prática não apenas está em expansão, mas também se aproxima do mainstream.
Neste ano, a Miu Miu lançou uma nova coleção de upcycling estrelada pela cantora Suki Waterhouse, ampliando o programa iniciado em 2020, que originalmente reformulava vestidos vintage, para incluir itens como peças em jeans e couro.
A Coach também intensificou suas iniciativas de upcycling com a linha Coach Repurposed, utilizando jeans usado para criar novos produtos, transformando camisas e jaquetas em bolsas, após ter ingressado nesse segmento há cinco anos com a coleção (Re)Loved, focada em bolsas.
Enquanto isso, a gigante do varejo Uniqlo vem experimentando a reformulação de peças usadas e daquelas que não foram vendidas por meio de seu programa Re:Uniqlo, tendo feito parcerias recentes com recém-formados da Central Saint Martins para transformar itens em peças exclusivas de upcycling. Marcas como Converse, Wrangler e Vivienne Westwood também lançaram linhas baseadas nessa prática.
Paralelamente, marcas menores que incorporaram o upcycling aos seus modelos de negócios estão recebendo cada vez mais propostas de colaboração de grandes empresas para a criação de coleções – a exemplo da parceria da Barbour com a END e da colaboração da marca norueguesa de artigos para atividades ao ar livre Norrøna com a Recouture.



