
A Hermès superou a Louis Vuitton e tornou-se, pela primeira vez, a marca de luxo mais valiosa do mundo, segundo o relatório Best Global Brands 2026 da Interbrand. A maison francesa ultrapassou sua rival, com as duas marcas trocando de posição no ranking global.
A Hermès registrou um crescimento de 10,6%, atingindo um valor de marca de US$ 45,2 bilhões e conquistando a 15ª posição – garantindo, assim, um lugar entre as 20 marcas mais valiosas do mundo. A Louis Vuitton, por sua vez, recuou 6,9%, chegando a US$ 45,1 bilhões e caindo para a 16ª posição, logo abaixo da concorrente. Agora, apenas US$ 100 milhões separam as duas marcas.
A Interbrand atribui a ascensão da Hermès ao seu primor artesanal, à escassez controlada e a iniciativas como o evento Hermès in the Making. A label, que produz artigos de couro, acessórios de moda, vestuário prêt-à-porter e fragrâncias, adota uma postura de contenção que o relatório aponta como um diferencial comercial. O fato de a empresa ser controlada pela família fundadora favorece essa estratégia.
Gonzalo Brujó, CEO global da Interbrand, afirma em um comunicado: “Durante anos, marcas consolidadas podiam acreditar que sua reputação seria suficiente para atravessar períodos difíceis”. E acrescenta: “Mas isso já não é mais o bastante”.
Segundo Brujó, as marcas que estão se destacando utilizam sua identidade não apenas como um ativo, mas como uma ferramenta de negócios. “Elas estão criando novas fontes de demanda, construindo relacionamentos mais sólidos com os clientes e encontrando novas formas de crescer”, explica.
A Chanel cresceu 8,1%, alcançando US$ 32,9 bilhões, e ocupa a 24ª posição no ranking. A Interbrand destaca um período de renovação criativa sob a direção artística de Matthieu Blazy, que trouxe um novo fôlego à grife, mantendo, ao mesmo tempo, intactos os códigos que definem a marca.
As joalherias estiveram entre os destaques positivos do setor. A Cartier, casa francesa pertencente ao grupo Richemont, cresceu 9,4%, atingindo US$ 12,2 bilhões e ocupando a 69ª posição. A Tiffany & Co., do grupo LVMH e fundada em 1837, cresceu 6,2%, chegando a US$ 8,1 bilhões e alcançando a 91ª posição.
Segundo a Interbrand, o sucesso de ambas as joalherias deve-se a investimentos em criatividade, parcerias culturais e experiências de varejo sofisticadas. Esse desempenho contrasta com o de várias grandes casas de moda, que seguiram na direção oposta no mesmo ranking.
A Gucci registrou a queda mais acentuada do setor: o valor da marca recuou 30,7%, para US$ 8,1 bilhões. A grife, que pertence ao grupo Kering e foi fundada em Florença em 1921, caiu 24 posições, chegando ao 93º lugar. A Interbrand aponta uma redução no desejo pela marca e um desempenho fraco em mercados-chave – cenário que persiste apesar dos esforços para redefinir sua direção criativa.
A Dior recuou 5%, para US$ 8,9 bilhões, ocupando a 85ª posição. A Prada caiu 15,1%, para US$ 7,6 bilhões, perdendo 10 posições e situando-se em 96º lugar. A Interbrand conclui que o mercado de luxo está entrando em um período de polarização.
Marcas com um propósito claro, coerência e autenticidade estão se destacando, afirma a Interbrand; por outro lado, aquelas que dependem apenas de seu legado, escala e impulso momentâneo percebem que a tradição, por si só, já não garante o crescimento. O relatório destaca: “O luxo já não se trata do que um produto faz, mas do que uma marca significa.”
O ranking surge em um contexto de redução nos gastos dos consumidores e mudanças nos hábitos de compra – fatores que, segundo a Interbrand, tornaram o setor mais exigente.
A Gucci também liderou as quedas no segmento de luxo no ano passado; na ocasião, nomes tradicionais como Louis Vuitton, Hermès e Chanel mantiveram-se no topo, embora tenham registrado perda de valor em comparação com 2024.


