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A Gentil Carioca abre exposição de Carlos Jacanamijoy em São Paulo

por Redação CHNews
01/09/2025
Tempo De Leitura: 3 minutos de leitura
Obra de Carlos Jacanamijoy – Foto: Divulgação

A Gentil Carioca abre, em sua sede paulistana, a exposição “Carlos Jacanamijoy: Ambi Yaku (Água que cura)”, primeira individual do artista no Brasil e na galeria, um marco em sua trajetória de mais de três décadas. A abertura acontece no dia 3 de setembro de 2025 (quarta-feira), das 16h às 20h, e marca também o início do circuito da Travessa Dona Paula, encontro de colecionadores, patronos e curadores no contexto da 36ª Bienal de São Paulo.

Reconhecido como um dos maiores nomes da arte indígena contemporânea das Américas, Carlos Jacanamijoy (n. 1964, Putumayo, Colômbia; vive entre Bogotá e Cartagena) apresenta uma série de obras inéditas desenvolvidas durante residência no Rio de Janeiro.

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Carlos Jacanamijoy – Foto: Divulgação/AGC/Pedro Agilson

Intitulada “Ambi Yaku” – expressão em quechua que significa “água que cura” -, a exposição reflete as paisagens, os sons e as memórias do território amazônico, evocando a relação vital entre natureza, espiritualidade e ancestralidade. Para Jacanamijoy, que cresceu cercado por rios, cachoeiras e névoas no Putumayo, “somos curados pela água – seja pelas termas, pelo mar ou pelas cachoeiras. O que busco com meu trabalho é que as pessoas também se conectem consigo mesmas, com a terra e com o planeta” 

Sua pintura é atravessada por uma dimensão quase sinestésica. Ele pinta como quem compõe uma partitura visual, em que cores intensas e gestos transparentes se transformam em murmúrios, silêncios e explosões sonoras. Para ele, cada tela é também um convite a um mergulho interior, um espaço de consciência e transformação.

Obra de Carlos Jacanamijoy – Foto: Divulgação

A presença da língua quechua, que teve contato com a sua avó, atravessa títulos e conceitos de seu trabalho como uma forma de resistência cultural e de tributo às gerações anteriores. Em suas palavras, a arte é uma linguagem de liberdade, capaz de “desfolclorizar e descolonizar”, rompendo estereótipos que historicamente reduziram os povos indígenas a representações folclóricas ou exóticas. Ao afirmar-se como artista – sem rótulos limitadores como “arte indígena” ou “arte étnica” -, Jacanamijoy defende um espaço de dignidade, diálogo e reconhecimento.

Obra de Carlos Jacanamijoy – Foto: Divulgação

Sua trajetória abriu caminhos para novas gerações de artistas, tendo sido referência para nomes como Jaider Esbell e Denilson Baniwa. Hoje, suas obras integram coleções de prestígio, como o National Museum of the American Indian – Smithsonian Institution (Washington, D.C., EUA), a Biblioteca Luis Ángel Arango (Banco da República, Bogotá), o Museu de Arte Moderna de Bogotá e o Museo La Tertulia (Cali), consolidando-o como figura fundamental na arte contemporânea latino-americana.

“Ana Silva: Contemplação do Vazio”

No andar superior da casa 106, a artista Ana Silva (n. 1979, Calulo, Angola; vive entre Lisboa e Luanda) apresenta sua segunda exposição n’A Gentil Carioca. Também com obras inéditas produzidas durante residência no Brasil, sua pesquisa parte do bordado como linguagem plástica, em trabalhos que propõem um olhar sensível e profundamente feminino sobre heranças culturais, afetividade e identidade.

A mostra apresenta uma composição que evoca uma atmosfera onírica, potencializando a poética que atravessa o trabalho da artista e ampliando o alcance de suas narrativas, que costuram tempos, territórios e memórias.

A Gentil Carioca – Travessa Dona Paula, casas 106, 108 e 110, Higienópolis, São Paulo, SP.

Tags: A Gentil CariocabienalCarlos Jacanamijoygaleriaindígenapinturasão paulotravessa dona paula
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