
Após permanecer cerca de 15 anos fora de circulação comercial, a obra de Aldir Mendes de Souza (1941–2007) retorna ao circuito artístico. A Galeria Contempo, em São Paulo, apresenta, de 15 de agosto a 19 de setembro, a exposição “Aldir Mendes de Souza: Arteônica da Paisagem”, com cerca de 20 trabalhos do artista.
Com curadoria de Fabrício Reiner, a mostra propõe uma nova leitura de sua produção ao aproximá-la do conceito de Arteônica, criado por Waldemar Cordeiro no início dos anos 1970 para investigar as relações entre arte, tecnologia e informação. Aldir participou, a convite de Cordeiro, da histórica “Arteônica – Exposição Internacional de Arte Eletrônica”, realizada em 1971, no Museu de Arte Brasileira da Faap.
Médico cirurgião plástico de formação, Aldir levou seu interesse pela ciência para uma obra que atravessou pintura, desenho, gravura, escultura, performance e cinema experimental. Também produziu trabalhos com radiografias e termografias, explorando o corpo, a transparência e imagens geradas por diferentes tecnologias.

Na pintura, transformou paisagens e elementos do mundo real em composições geométricas construídas pela cor. A partir de 1969, o cafeeiro e o cafezal ganharam presença constante em seu trabalho, tornando-se pontos de partida para uma pesquisa sobre espaço, planos e relações cromáticas.
A exposição também devolve ao público parte do acervo mantido pela família desde a morte do artista, em 2007. Segundo Aldir Mendes de Souza Filho, a ausência das obras no mercado não foi planejada, mas resultado da dificuldade de encontrar parceiros capazes de preservar adequadamente o legado do pai. “Hoje, essa parceria com a Galeria Contempo representa o reencontro da obra com o público e com o mercado, respeitando sua trajetória e sua importância”, afirma.

Com passagens pela Bienal Internacional de São Paulo e exposições em instituições como Masp, MAC-USP, Pinacoteca de São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes e Paço das Artes, Aldir tem trabalhos em importantes coleções públicas e privadas. Seu retorno ao circuito lança nova luz sobre uma produção que aproximou pintura, ciência e tecnologia quando esse encontro ainda começava a ganhar espaço na arte brasileira.
Galeria Contempo – Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1644 , Jardim América, São Paulo, SP.


