
Cada vez mais populares, as canetas emagrecedoras têm levantado questionamentos sobre seus efeitos colaterais. Entre eles está o possível afinamento e queda dos cabelos durante os períodos de emagrecimento mais acelerado. E a própria bula das medicações reconhece que essa pode ser uma reação adversa durante a sua utilização, ainda que em pequenas proporções.
Já no Brasil esse tema ganhou relevância com o aumento da procura por esses produtos. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) mostram que a demanda por canetas emagrecedoras alcançou 8,7 milhões de unidades em 2025.
Mas, afinal, qual é a relação entre as canetas e a queda de cabelo? O efeito é temporário? Tati Cordeiro, empresária e CEO da MegaHairInvisível, responde essas e algumas outras perguntas.
Em primeiro lugar, é preciso entender que é natural perder cabelos ao longo do dia. É o que explica a American Academy of Dermatology: em situações normais, o esperado é perder por volta de 50 a 100 fios diariamente. Por outro lado, estresse físico ou metabólico, além de estarem relacionados ao uso de canetas emagrecedoras, também têm o potencial de agravar essa queda.
Ao mesmo tempo, a diminuição da alimentação que acompanha o uso de medicamentos emagrecedores também pode contribuir para a falta de proteínas, vitaminas e outros nutrientes necessários para a saúde capilar. Porém, a American Academy of Dermatology também destaca que ainda faltam estudos para determinar todos os mecanismos envolvidos na perda de cabelos.
Tati Cordeiro, por sua vez, diz: “Quando existe uma queda importante, não é correto simplesmente colocar a culpa na caneta.” Ao que ela complementa citando que são vários os fatores envolvidos nessa situação. “Por isso, diante de uma queda persistente ou intensa, a avaliação de um dermatologista é importante para identificar a causa”, afirma.
Embora, na maioria dos casos, a queda capilar causada por canetas emagrecedoras se reverta sozinha conforme o organismo se adapta, o impacto visual pode ser grande. Por exemplo, pessoas que já apresentem cabelos finos ou menos densos antes da adoção da medicação podem observar o agravamento dessas características. Com isso, o couro cabeludo pode ficar mais aparente e o volume e comprimento dos fios pode diminuir também.
Diante desse cenário, Tati menciona as consequências psicológicas da perda de cabelos. “Existe uma questão emocional muito forte nesse processo. A mulher emagrece, começa a se sentir melhor com o corpo, muda o guarda-roupa, recupera a confiança e, de repente, percebe que o cabelo perdeu volume.” O que, na sua opinião, adiciona uma nova camada de preocupações estéticas que talvez não existissem antes.
Junto disso, a American Academy of Dermatology aconselha pacientes a se consultarem com dermatologistas antes de iniciar tratamentos com canetas emagrecedoras, especialmente aqueles que já têm predisposição à queda capilar. Para eles, a organização ainda redobra a recomendação de acompanhar possíveis alterações e seguir por uma perda de peso mais gradual para evitar acelerar ainda mais a perda dos fios.
Por fim, Tati também previne contra medidas exageradas aos primeiros sinais de queda. “Uma coisa importante é não entrar em desespero e começar a fazer qualquer procedimento ou tomar qualquer suplemento por conta própria”, adverte, “se existe uma deficiência nutricional, por exemplo, ela precisa ser investigada e corrigida com orientação profissional”.


