
Dario Mittmann apresentou, na noite de terça-feira (08.04), a coleção Golem, dentro do line up do São Paulo Fashion Week. Com recado sério de que o ser humano estaria perdendo sua humanidade e dando ênfase demais às tecnologias, a label alerta para os riscos da inteligência artificial.
Leia entrevista exclusiva com o estilista:
CHNews: Uma compreensão de quem assistirá ao desfile Golem e a sua transhumanidade é a de que a humanidade pode estar perdendo a sua humanidade. Acha que a sustentabilidade, também presente na coleção, pode ser uma solução para um mundo tão fissurado pela dopamina dos eletrônicos e menos pela ocitocina das relações humanas físicas?
Dario Mittmann: Eu acho que esta coleção, que fala sobre transhumanismo e transgredir a nossa própria humanidade, traz muito este nosso questionamento, de que a humanidade realmente está perdendo a humanidade. Estamos avançando com a tecnologia, avançando com a ciência, adquirindo muito conhecimento, que jamais tivemos, em velocidade que jamais podia ser imaginada, mas, ao mesmo tempo, eu acho que estamos caminhando para deixar de ser[mos] seres humanos para se tornar outra coisa.
CHN: Para você, de que forma a IA poderia entrar no processo criativo da moda, da sua marca ou não, de forma saudável e colaborativa?
DM: Acho que a inteligência artificial, assim como qualquer tecnologia, foi criada com o intuito de ajudar o ser humano nas suas atividades, mas não de substituir. E a mensagem da coleção é esta, que a essência humana é o centro de tudo. Então a IA é uma ferramenta, mas ela só existe porque tem como base fontes de dados criados por seres humanos. Então, na verdade, ela apenas copia e traduz dados que já foram criados por seres humanos; sem a humanidade, ela não existiria. Sem o trabalho criativo humano, não existiria a IA. Então o ser humano não pode parar de criar por causa dela.
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